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Notícias |
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| 30 de março de 2009 |
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| Polêmica homenagem: um museu para Pinochet |
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| por Graziella Beting |
Em dezembro, dois anos depois da morte de Augusto Pinochet, sua família inaugurou, no Chile, um museu dedicado ao general que derrubou o presidente Salvador Allende do poder em 1973 e manteve o país numa ditadura por 17 anos.
O museu funciona no antigo escritório do ditador, no bairro Vitacura, em Santiago. Para visitá-lo, é preciso antes preencher um formulário pela internet. A visita guiada dura 40 minutos e percorre quatro salas, com objetos que pertenceram ao político, como soldados de chumbo, estátuas de Napoleão, medalhas, condecorações, presentes, além de um arquivo com 10 mil fotos e bustos – de Pinochet e dos generais que tomaram o poder em 1973.
O local foi restaurado para ser apresentado como era, com fotos da mãe e da esposa sobre a mesa, um Jesus crucificado e balas de menta. Concebido para reabilitar a imagem do ditador, o museu recebeu US$ 23 mil em doações privadas, segundo o diretor da Fundação Pinochet, o general da reserva Luis Cortes Villa.
A iniciativa dividiu o Chile. Vítimas da tortura durante o regime militar consideraram-na uma ofensa. O senador socialista Jaime Naranjo chamou o lugar de “museu de horrores”. Já a viúva de Pinochet, Lucia Hiriart, declarou que “pouco a pouco, a justiça está sendo feita”.
Segundo os documentos oficiais, até Pinochet deixar o poder, em 1990, seu regime pode ter matado 3,2 mil pessoas – parte do total é composta de “desaparecidos”. Outras 28 mil foram torturadas. Antes de morrer, o general reconheceu ter desrespeitado os direitos humanos, mas jamais se desculpou e nem foi julgado pelos crimes. |
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| Graziella Beting é jornalista e tradutora |
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