Pompéia, ainda em perigo
Governo italiano decreta estado de emergência de um ano para proteger o sítio arqueológico do vandalismo dos turistas
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Graziella Beting
| GRAZIELLA BETING |
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| As ruínas de Pompéia, aos pés do vulcão Vesúvio. No detalhe, uma das inúmeras pichações que se espalham pelo sítio arqueológico, símbolo do vandalismo que ameaça o patrimônio milenar |
Quase 2 mil anos depois de sua destruição, Pompéia continua ameaçada. A cidade do sul da Itália, que foi devastada e coberta por lava durante a erupção do Vesúvio no ano 79, hoje teme menos a lava do vulcão (que anda calmo), do que as levas de turistas que passam por suas ruínas diariamente. A ação do tempo e os 2,5 milhões de visitantes anuais são os responsáveis por desgastes que colocaram o patrimônio cultural de Pompéia em situação de perigo.
O alerta foi dado em julho,quando o governo italiano decretou estado de emergência de um ano nas ruínas da antiga cidade do Império Romano. O objetivo é aproveitar a condição para conseguir verbas e adotar medidas para proteger o sítio
arqueológico, reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco, conforme declarou o ministro da Cultura italiano.
No dia 24 de agosto de 79, Pompéia foi soterrada por uma chuva de cinzas e pedriscos que resultaram de uma grande erupção do vulcão Vesúvio. Só 1.600 anos depois, arqueólogos descobriram a cidade soterrada, paradoxalmente preservada, protegida pelas
camadas de cinza e lama que a devastaram. Hoje dois terços dessas ruínas já foram escavadas, revelando parte da cidade de 66 hectares onde viviam entre 15 e 20 mil pessoas. Mil e quinhentas casas foram restauradas, mas apenas uma pequena parte está aberta ao público (cerca de 30%, em condições normais). O plano de recuperação pretende aumentar esse número.
Segundo o Ministério da Cultura italiano, os maiores inimigos de Pompéia são a má administração do sítio arqueológico, que permite o acúmulo de lixo, pichações e pilhagem das ruínas, além da conservação inadequada. Calcula se que a cada ano são perdidos 150 metros quadrados de afrescos e 3 mil pedras são desintegradas e voltam ao estado de poeira, por falta de conservação.
Em decorrência do estado de emergência, desde agosto estão sendo lançados editais para abertura de concorrência para o restauro dos pontos mais críticos que necessitam de intervenção urgente. O plano total de recuperação apresentado pelo ministro da Cultura, Sandro Bondi, e pelo comissariado especial de emergência de Pompéia chega a 57 milhões de euros, dos quais 40 milhões serão financiados pelo governo italiano e 17 milhões pelas autoridades da Campânia, região do país onde se localiza o sítio arqueológico.
Até que as obras sejam realizadas, o turista que percorrer as ruínas de Pompéia deverá encontrar muitas das atrações fechadas. Enquanto os trabalhos de recuperação não começam, o método mais prático encontrado pela administração para preservar as ruínas de seus agentes de destruição modernos é passar a corrente e impedir a entrada de visitantes.