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Roteiro de viagem insólito por Paris

Graziella Beting
COLEÇÃO PARTICULAR
Demolição da casa de Thiers, chefe do governo instalado em Versalhes, foto anônima de 1871
Após os bombardeios prussianos do final de 1870, e à Comuna de Paris (18 de março a 28 de maio de 1871), os escombros da cidade se tornaram uma atração turística, a ponto de terem sido lançados guias e excursões indicando roteiros pelas ruínas

O livro Paris en ruines do historiador Eric Fournier, que acaba de ser lançado na França, retraça, a partir de arquivos inéditos e testemunhos, os violentos ataques sofridos pela cidade depois da dupla guerra, contra a Prússia e civil.

Uma carta de Flaubert de 1871 descreve o que ele fez no o verão desse ano: “Passei uma semana em Paris, visitando as ruínas”. Por mais insólito que pareça, nos meses que se seguiram aos bombardeios prussianos do final de 1870, e à Comuna de Paris (18 de março a 28 de maio de 1871), os escombros da cidade se tornaram uma atração turística, a ponto de terem sido lançados guias e excursões indicando roteiros pelas ruínas.

Esse turismo inóspito é um dos aspectos explorados pelo livro Paris en ruines (Paris em ruínas, Editora Imago), do historiador Eric Fournier, que acaba de ser lançado na França. O trabalho retraça, a partir de arquivos inéditos e testemunhos (recolhidos em cartas, diários e documentos), os violentos ataques sofridos pela cidade depois dessa dupla guerra, contra a Prússia e civil. Fournier faz uma história das sensibilidades, analisando como os habitantes da época viveram a destruição da capital francesa.

Naquele “ano terrível”, como descreveu o escritor Victor Hugo, a Paris dos cartões-postais estava irreconhecível: Hôtel de Ville incendiado, Jardim das Tulherias destruído, Palais Royal devastado, coluna Vendôme derrubada... Além da devastação resultante da ocupação prussiana, os embates sangrentos entre os participantes da insurreição popular que instituiu a Comuna e as tropas do governo deixaram dezenas de milhares de mortos e mais de 200 prédios históricos incendiados. Os maiores estragos ocorreram durante a “semana sangrenta”, de 21 a 28 de maio, quando o governo, exilado em Versalhes, mandou suas tropas invadir Paris para desmobilizar os insurgentes.