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Rússia reabilita o czar Nicolau II

Graziella Beting
IBLIOTECA BEINECKE, UNIVERSIDADE DE YALE
A czar Nicolau II e sua mulher Alexandra com as filhas Olga e Maria, em 1908
O Supremo Tribunal da Rússia acaba de conceder a plena reabilitação do último czar, Nicolau II, e sua família, considerados a partir de agora como vítimas de repressão política bolchevique. A decisão do Supremo Tribunal anula todas as outras anteriores, que negavam a reabilitação da família imperial.

Nicolau II fez parte da dinastia dos Romanov, que reinou de 1613 a 1917 na Rússia. Foi com a Revolução Russa que o czar caiu e, em 17 de julho de 1918, foi fuzilado, junto com seus familiares, por um pelotão bolchevique, no porão da casa Ipatiev, em Yekaterimburgo. Essa morte está rodeada de mistério, mas de acordo com a versão oficial, baseada nos arquivos secretos da KGB, em seguida os corpos foram levados para uma mina abandonada. Alguns foram queimados, outros imersos em ácido sulfúrico e depois enterrados numa fossa.

Os corpos dos Romanov só foram encontrados e identificados depois da queda do regime soviético. Em 1991, os restos mortais do czar, sua esposa e três filhas foram encontrados. Só em 2007 foram localizadas e identificadas as ossadas de Alexis e Maria, os dois outros filhos.

A reabilitação dos Romanov vem sendo feita aos poucos. Sob Bóris Iéltsin, os corpos foram sepultados, com direito a cerimônia na catedral de São Petersburgo. Para o então presidente da Rússia, a execução dos Romanov deveria ser vista como ato fundador de um século sangrento, o início de um período de terror. No ano 2000, a Igreja Ortodoxa canonizou os Romanov, como mártires.

Agora veio a decisão oficial, que está sendo vista como mais um sinal da reinterpretação da própria história que a Rússia vem fazendo desde o fim da era soviética. Recentemente, Nicolau II foi eleito o personagem russo mais ilustre em um concurso da televisão pública Rossia, com 400 mil votos à frente de Stálin.

Desde 1992, a Rússia tem uma lei sobre reabilitações. Já foram examinados mais de um milhão de casos, e 775 mil pessoas, condenadas durante o período soviético, foram reabilitadas. A recente decisão do Supremo foi motivada por uma ação judicial apresentada em 2005 pela grã-duquesa Maria Vladimirovna, descendente dos Romanov. Depois de conseguir ganho de causa, ela declarou não ter a intenção de pedir a restituição dos bens imperiais – temor que, segundo analistas, explica o fato de o governo russo ter demorado tanto para reabilitar o último czar.