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10 de setembro de 2009
Treinamento para o fim do mundo
Inglaterra revela manual de orientação a funcionários do governo em caso de ataque nuclear que deflagrasse, nos anos 70, a Terceira Guerra Mundial
por Graziella Beting
DIVULGAÇÃO
Cena do filme Dr. Fantástico, de 1964, em que um general (interpretado por Peter Sellers) faz planos de neutralizar o inimigo que levariam ao fim do mundo.
Assim como as grandes empresas regularmente treinam seus trabalhadores para orientá-los sobre como agir em caso de incêndio, durante a Guerra Fria funcionários de ministérios estratégicos do governo britânico passaram pelos chamados “ensaios para o fim do mundo”. Todos os anos, eram realizados exercícios preparatórios para explicar os procedimentos que deveriam ser adotados no caso de ser deflagrada a Terceira Guerra Mundial.

Os exercícios, que podiam durar semanas, eram organizados de acordo com as orientações contidas no Livro de guerra (War book), um manual ultrasecreto produzido pelo governo britânico. Editado em 1970, ele trazia, ao longo de 16 capítulos, o passo a passo de como agir se o tão temido ataque nuclear detonasse a Terceira Guerra. A Inglaterra seria, então, dividida em 12 áreas, cada uma delas coordenada por um governo regional, sediado em um dos bunkers subterrâneos espalhados pelo país. Esse complexo de fortificações seria coordenado a partir de um abrigo em Cotswolds, para onde seriam levados os membros do alto escalão da administração britânica.

Alguns trechos do Livro de guerra de 1970 já haviam sido liberados anteriormente, mas só agora pesquisadores tiveram acesso à versão integral do documento, conservado pelos Arquivos Nacionais britânicos. Sua liberação faz parte de um programa de abertura dos acervos de documentos relativos à Guerra Fria.

No ano passado, por exemplo, foram divulgadas gravações do serviço de rádio da BBC, prontas para ir ao ar a cada duas horas, anunciando que o país sofrera um ataque com armas nucleares. Nelas, se pedia calma à população, que era orientada a ficar em casa e armazenar comida e água. A locução seria transmitida caso fosse deflagrada a Terceira Guerra, esclarecendo que a partir daquele momento a rádio se tornaria a porta-voz oficial do governo. A emissora estatal seria instalada em um bunker em Worcestershire, e um estúdio também passaria a funcionar no bunker onde ficaria o governo central.
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Graziella Beting é jornalista e tradutora
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