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Reportagem |
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| edição 74 - Dezembro 2009 |
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| A Enciclopédia, recenseamento do saber |
| No século XVIII, Diderot e D’Alembert organizaram a primeira obra que colocava ao alcance dos leitores o conjunto dos conhecimentos filosóficos e científicos disponíveis na época. Era o início de uma revolução intelectual |
| por Joëlle Chevé |
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Biblioteca Nacional, Paris |
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| Frontispício da primeira edição da obra, publicada na França em 1751 |
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[continuação]
Diderot tinha o perfil intelectual adequado, e sua associação com d’Alambert, matemático próximo dos meios aristocráticos e membro da Academia das Ciências, deu à obra uma chancela oficial. Do empenho de ambos no projeto resultou a necessidade de ir além do dicionário de Chambers, limitado demais, em particular no campo das artes mecânicas, da agronomia e das ilustrações.
Para reforçar o novo texto, optou-se pelo uso de imagens, procedimento pedagógico que seria um dos maiores trunfos da Enciclopédia. Os temas foram apresentados sob a forma de uma árvore inspirada na do filósofo inglês Francis Bacon. A filosofia era o tronco, enquanto a teologia foi destronada e relegada a um ramo, em companhia das ciências ocultas e da magia!
O tom estava dado: a Enciclopédia, dicionário racional das ciências, das artes e dos ofícios era ao mesmo tempo uma obra de informação e um manifesto. Havia o desejo expresso de romper com um passado considerado ignorante e obscurantista e afirmar o advento de uma nova era, fundada nas luzes da razão e na fé no progresso.
A filosofia foi, a partir de então, considerada uma disciplina guia, encarregada de acabar com os preconceitos e superstições que se opunham à razão, transformada em uma espécie de nova religião. Ocorre que havia muitas divergências entre os filósofos. O suíço Jean-Jacques Rousseau e o francês François-Marie Arouet (ninguém menos que Voltaire) eram deístas. Já Diderot e os também franceses Paul-Henri Thiry (cujo pseudônimo era Baron d’Holbach) e Claude-Adrien Helvétius eram ateus. |
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| Joëlle Chevé é especialista em história social dos séculos XVII e XVIII |
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