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Reportagem

As muitas vidas da Ku Klux Klan

A organização racista nasceu após a Guerra de Secessão, mas seus fantasmas assombram até hoje os Estados Unidos.

Paul-Eric Blanrue
Membros da Ku Klux Klan desfilam em Washington, na Pennsylvania Avenue, próximo ao Capitólio ( ao fundo), em 1928.
Estamos em 1865. Em um sul devastado, arruinado pelo desemprego e pela miséria, jovens veteranos da confederação sulista, o conjunto de estados que se separou da união, inventam algo para passar o tempo.

No dia 24 de dezembro, em Pulaski, obscuro centro administrativo do Tennessee, seis deles - Calvin Jones, Frank McCord, Richard Reed, John Kennedy, John Lester e James Crowe - se reúnem para fundar uma associação. Nada de política. A idéia era apenas prolongar a fraternidade das armas. Respeitando a tradição dos clubes de estudantes, os colegas batizaram a comunidade com um nome cercado de mistério.

Egresso do center college do kentucky, kennedy adotou a palavra grega kuklos, que significa "círculo". Crowe a dividiu em dois e mudou o final, chegando a "ku klux". Observando que os fundadores eram de origem escocesa, lester propôs acrescentar ao nome uma evocação ao "clã", em harmonia com a ortografia adotada. Crowe achou divertida a idéia de fantasiar os membros, assim como seus cavalos, com panos e capuzes roubados da casa de seus hóspedes. Assim nascia a ku klux klan.

O que começou como uma brincadeira logo mudou de natureza. Os desfiles mascarados, realizados pelos seis amigos, tinham como objetivo aterrorizar os negros, sem instrução e supersticiosos, que acreditavam cruzar com os fantasmas dos confederados mortos em combate. Instrumentalizavam, portanto, o medo do além. Os sulistas empobrecidos viram nisso uma oportunidade de trazer de volta para o trabalho nas plantações os 4 milhões de negros que Abraham Lincoln tinha liberado com a Proclamação da Emancipação de 1o de janeiro de 1863. Não precisava de mais nada para os encapuzados seguirem com sua perseguição. Sob o pretexto de manter a ordem, divertiam-se em aterrorizar os negros, utilizando diversos dispositivos para dar credibilidade a seus poderes sobrenaturais: ossos de esqueletos escondidos sob os tecidos com que se cobriam, para apertar a mão dos antigos escravos alforriados, abóboras habilmente recortadas, que colocavam e retiravam rapidamente, para evocar a lenda do cavaleiro sem cabeça etc.
A Klan adquiriu, assim, uma sólida notoriedade na região. Para evitar as denúncias, o segredo se tornou um componente essencial da pequena comunidade, ajudado pelo anonimato garantido pelo capuz e reforçado pelo uso de títulos esotéricos e ritual iniciático: numa seleção impiedosa, o infeliz candidato a membro era punido por sua curiosidade, sendo fechado em um tonel e empurrado para rolar de um barranco.

Tentados pela perspectiva de aplicar, impunemente, trotes contra negros, candidatos das cidades vizinhas afluíam. Os de Athens, no Alabama - onde os professores do Norte tratavam os alunos negros em igualdade com os brancos -, foram os primeiros a introduzir o castigo físico, ao mergulhar numa fonte gelada um negro que viram montar a cavalo com uma professora. Em menos de um ano, os "Atenienses" foram seguidos por centenas de outros grupos mais ou menos autônomos. Quanto mais a Klan se desenvolvia, mais a gama de violências aumentava. No começo de 1867, em Nashville, no Texas, o núcleo de Pulaski, sentindo-se ultrapassado pelos acontecimentos, tentou retomar o controle das operações. Adotou uma proclamação dos princípios fundamentais da Klan, definidos como uma "instituição cavalheiresca, humanitária, misericordiosa e patriótica". Estipulou-se um organograma - um tipo de hierarquia medieval fantasiada, que estabelecia diferentes filiais. Foram redigidos o regulamento e as dez questões colocadas aos postulantes. Cada estado tornou-se um reinado governado por um Grande Dragão; cada distrito era um domínio, dirigido por um Grande Titã; cada condado ou província ficava sob a autoridade de um Grande Gigante. Tudo constituía o "Império Invisível", dominado pelo Grande Feiticeiro. As funções mais modestas eram ligadas a títulos como Grande Monge, Grande Escriba ou Grande Turco.

O dever sagrado de qualquer klanista era "a manutenção da supremacia da raça branca na república". Um objetivo justificado pela sacrossanta "psicologia" (os negros são verdadeiramente homens?) e por uma teologia rudimentar: "O Criador, nos elevando dessa forma acima do nível ordinário dos humanos, quis nos dar, sobre as raças inferiores, um poder que nenhuma lei humana pode nos retirar de maneira permanente". Corolário político: apesar de jurar fidelidade à Constituição americana, da qual se vê herdeiro exclusivo, por ser branco, o klanista prestava juramento de "se preservar" das leis do governo federal, cujo poder era declarado "arbitrário e ilícito". A ruptura com a legalidade foi, assim, consumada. A Klan se tornou um contrapoder clandestino. Sustentada pela maioria dos brancos do Sul e composta por "tipos incômodos" recrutados em todas as classes sociais, a Klan devia sua eficácia sobretudo a seus altos dignitários, dos quais a maior parte eram antigos oficiais confederados. Previsto para ser o primeiro Grande Feiticeiro da KKK, o general Robert Edward Lee, ex-comandante-chefe dos exércitos do Sul, declinou o convite, mas aceitou ser o presidente "invisível".

Para a presidência efetiva designou, em 1867, outra estrela lendária, o general Nathan Bedford Forrest. Ele havia acumulado uma fortuna como mercador de escravos e suas tropas massacraram os soldados negros que se renderam em Fort Pillow, aos gritos de "Matem os negros!". Era o homem de que a Klan precisava. Uma de suas manobras consistiu, em 1869, em proceder à dissolução solene da organização. Na realidade, Forrest blefava e sua intenção era colocar o "Império" numa clandestinidade cada vez maior.
Ondas da violência
As atividades da Klan eram invariavelmente baseadas no racismo. Uma delas, pouco conhecida, era de ordem eleitoral. Consistia em obrigar os negros, por meio de visitas-surpresa no meio da noite, acompanhadas por chibatadas e ameaças de morte, a votar pelos democratas (os republicanos eram assimilados aos inimigos do Norte) ou a se abster. A estratégia era considerada rentável, já que o eleitorado negro dava, pouco a pouco, seus votos para as listas sustentadas pela Klan. A organização também declarou guerra ao arsenal de liberdades concedidas aos negros, principalmente a livre associação. Um certo número deles aderiu à Loyal League, que cultivava o pensamento igualitário de Lincoln e autorizava seus membros, a partir de 1867, a portar armas. Isso era algo impensável. Durante o primeiro semestre de 1868, o Grande Feiticeiro percorreu seus estados convocando para a mobilização.

Cada uma de suas passagens era seguida por uma onda de violência. Respondendo a um jornalista de Cincinnati, Forrest explicou: "Os negros faziam reuniões noturnas, iam e vinham, tornando-se extremamente insolentes, e todo o povo do Sul, em todo o estado, estava muito preocupado". Ele se resguardou de condenar a justiça de seus próprios militantes, que, em nome da "preocupação" dos cidadãos americanos, tiravam ilegalmente prisioneiros negros de suas celas para pendurá-los em árvores.

A Klan atacava os negros que tinham conseguido juntar alguns bens no pós-guerra, em nome do raciocínio segundo o qual eles eram preguiçosos, inconstantes e economicamente incapazes e, por natureza, destinados à escravidão. Esse foi o caso de Perry Jeffers, instalado com a mulher e sete filhos numa plantação da Geórgia como meeiro. Ele gozava de uma excelente reputação junto a seu patrão. A Klan decidiu fazer com que ele pagasse por seu sucesso. Um dos filhos de Jeffers respondeu ao ataque. Resultado: uma morte do lado da Klan. Na ausência de Jeffers, os "cavaleiros" da Klan voltaram com reforço. Enforcaram sua mulher, fuzilaram e depois queimaram o filho mais novo numa fogueira. Por sorte, a esposa foi salva da agonia por um médico - depois assassinado pela Klan. Aterrorizado, Jeffers tentou fugir para a Carolina do Sul. Pegou o trem com os filhos, mas o vagão em que estava foi invadido por klanistas, que o forçaram a descer na última parada da Geórgia.

Algumas horas depois, foram encontrados os cadáveres, crivados de balas. Na história da Klan, contavam-se mortes desse tipo às centenas. A Klan "mantinha a ordem". Natural e social.

Outro alvo privilegiado eram os funcionários ianques, ou seja, do Norte, e mais precisamente os professores que, vindos dali, davam aulas para os negros nos estados do Sul. Perigo terrível: se os negros se instruíssem, o retorno à época de ouro da escravidão seria impossível, pensavam. Toca-se aqui no calcanhar-de-aquiles da doutrina klanista. Temer a instrução dos negros era admitir, no fundo, que estes tinham em si as mesmas capacidades dos brancos. Tudo poderia ser, então, uma questão de instrução e nível social. Os jovens professores eram considerados traidores, responsáveis pela decadência. Daí os insultos e cartas ameaçadoras que começaram a aparecer: "Antes do fim do próximo quarto [de lua], desapareça, professor ímpio de negros! Desapareça antes que seja tarde! O castigo o espera com tais horrores que nenhum homem poderá sobreviver". No Mississipi a repressão atingiu seu maior grau: escolas incendiadas, mestres roubados, assassinatos.
Muitos se foram. Alguns idealistas permaneceram. O diretor da First Coloured School, John Dunlap, era um deles. Mas não por muito tempo: "Havia mais ou menos cinqüenta homens a cavalo armados com pistolas. Eles estavam todos mascarados.

(...) Apareceram diante da minha porta por volta das dez horas da noite (...) Atiraram duas vezes em mim através da janela". Os klanistas o seqüestraram e o levaram para um lugar a vários metros dali. "Eles me colocaram de pé no meio da estrada e me fizeram baixar as calças, tirar a camisa, depois enrolaram-na em minha cabeça.

Então, exceto oito entre eles, cada um me deu cinco chibatadas. Sempre a mesma chantagem: o chefe disse que não me bateria mais se eu saísse do estado." Dunlap foi embora.

A Klan não recuava diante de nada. Tratou de liquidar até o senador republicano Stephens, apunhalado em pleno tribunal. Diante de tais excessos, o governo decidiu reagir firmemente. Em 20 de abril de 1871, o presidente Ulysses S. Grant assinou um ato draconiano, que colocava o grupo na ilegalidade. Autorizava, inclusive, o uso da força para dissolver núcleos de associados. Seis meses mais tarde, foi decretada a lei marcial em nove condados da Carolina do Sul. Membros do exército denominados Azuis foram enviados para lá, imediatamente, e realizaram milhares de prisões. Por falta de provas, a maioria dos detentos foi solta, mas a derrota foi dolorosa. Para escapar à perseguição, os membros da Klan se espalharam em novos organismos: White League, Shot Gun Plan, Rifle Club. Mas a Klan original, mesmo, foi aniquilada.
Sono de meio século
Para os rebeldes do Sul, nostálgicos exaltados, os klanistas adquiriram logo o status de heróis românticos. O retorno à atividade política aconteceria por uma via inesperada: o lançamento, em 1915, do filme O nascimento de uma nação, de D. W. Griffith, baseado em romance de Thomas Dixon. Nessa obra o diretor, segundo afirma o guia de filmes de Jean Tulard, "não esconde a simpatia pelos sulistas e toma abertamente partido pela Ku Klux Klan". O presidente dos Estados Unidos, Woodrow Wilson, apoiou o filme. Para um de seus espectadores, William J. Simmons, era uma revelação. Originário do Alabama, veterano da guerra contra a Espanha, pregador metodista, representante comercial e associado a diversas sociedades maçônicas, Simmons tirou proveito do sucesso do filme e do descontentamento popular devido às imigrações recentes para relançar a KKK. No dia de Ação de Graças de 1915, aquele que se autoproclamava "coronel" reuniu alguns fiéis no cume da Stone Mountain, a leste do Alabama. Ele incendiou uma imensa cruz de madeira: "Eis o Império invisível tirado de seu sono de meio século".

A Klan em "novo formato" retomou a receita que fez o sucesso do antigo: supremacia branca e racismo antinegro. E acrescentou a rejeição ao catolicismo, considerado invasor. A imigração recente incitava a cultivar o anti-semitismo e a xenofobia. Mas esse renascimento parecia bastante com uma operação comercial. Cada associado pagava uma cotização, tinha uma apólice de seguro, comprava sua veste de klanista etc. Com o capitalismo, o "espírito do Sul" se perdeu no caminho. E depois, sobretudo, contrariamente à antiga Klan, o Grande Feiticeiro tentou legalizar a estrutura - e não hesitou em propor seus serviços ao poder público: os fundadores da Klan original devem ter se remexido em suas tumbas.

No entanto, a KKK só se desenvolveu realmente a partir de 1920, com a entrada em cena de dois novos associados de Simmons, o ex-jornalista Edward Clarke e a rica viúva Elizabeth Tyler. Objetivo: desviar, em seu favor, a forte corrente isolacionista que atravessava o país. A América, antes de tudo. Especialista em organização e publicidade, Clarke tornou-se chefe do estado-maior. Ele fixou o quartel-general em Atlanta, reinstaurou, grosso modo, as antigas subdivisões e o ritual clássico de iniciação, multiplicou os desfiles em que queimava cruzes, deu um salário aos que exerciam uma função no seio da Klan.

Em um ano, o Sul foi "reconquistado" e, novidade, o Norte - onde os negros pobres se espremiam nos bairros suburbanos - ficou seriamente tentado, em particular os estados de Indiana, Oklahoma e Oregon. Republicanos e burgueses das cidades ficaram seduzidos. Estima-se que o número de klanistas logo chegou a cinco milhões. Como numa holding, a Klan aproveitou o apoio popular para diversificar suas atividades: publicou jornais e folhetos, comprou imóveis, assumiu o controle da Lanier University. Alcoólatra, Simmons foi deposto e substituído pelo dentista franco-maçom (32.° grau) Hiram W. Evans, de Dallas, que se tornou Feiticeiro Imperial e aproveitou igualmente para expulsar Clarke e Tyler.
Em 1924, durante a renovação do corpo legislativo, 11 governadores e diversos senadores receberam a investidura da Klan. Triunfo. O QG mudou-se para Washington. No ano seguinte, uma lei restringindo a imigração foi votada. Para demonstrar sua força, a Klan organizou um desfile monstruoso na capital. Mas o entusiasmo não tardaria a cair de novo. Fortalecido pela relativa neutralidade da polícia e pelo apoio de diversos magistrados locais, a Klan, copiosamente armada, multiplicou seus atos de crueldade. Os "negros" que a organização caçava, ou aqueles que se confraternizavam com eles, homens da lei - políticos e pastores incluídos -, tinham os cabelos raspados, eram marcados na testa com as três iniciais klânicas, açoitados ou ainda cobertos por asfalto, no qual enfiavam-se plumas. Apresentando-se como guardiã da moralidade pública, a Klan punia as mulheres adúlteras, os médicos charlatões, as prostitutas e os marginais. O cenário era repleto de crimes assustadores, como o de "justiçados" moídos por um trator.

Lei antimáscara
Como reação, a Louisiana votou uma lei antimáscara (proibição de usar máscaras fora do Dia de Todos os Santos e do carnaval), adotada em seguida por outros estados. A perda de respeitabilidade da KKK, unida a divisões internas, levou à degradação de seu público, apesar de a organização continuar a realizar expedições punitivas, desempenhando por exemplo o papel de supervisora de uma agremiação de patrões contra os sindicalistas, cuja cota estava em alta depois da crise de 1929.

Nos anos 1930, o nazismo exerceu uma certa atração sobre a KKK. Não passou disso, porém. A aproximação com germanistas foi bruscamente encerrada na Segunda Guerra Mundial, depois do ataque japonês à base americana de Pearl Harbor, quando muitos membros se alistaram no exército para lutar contra o "perigo amarelo". Só faltava o tiro de misericórdia ao império invisível. Em 1944, o serviço de contribuições diretas cobrou uma dívida da Klan, pendente desde 1920. Incapaz de honrar o compromisso, a organização morreu pela segunda vez.

Apesar de diversas tentativas de ressurreição (num âmbito mais local que nacional), a KKK não obteve mais o sucesso de antes da guerra. As mentalidades evoluíram. A ameaça de crise estava a partir de então descartada, tendo o soldado negro mostrado que era capaz de derramar tanto sangue quanto o branco. Finalmente, o "traidor" Stetson Kennedy contribuiu para desmistificar a organização, liberando todos os seus segredos no livro Eu fiz parte da Ku Klux Klan. Alguns klanistas ainda insistiram e suscitaram, temporariamente, uma retomada de interesse entre os WASP (sigla em inglês para protestantes brancos anglo-saxões) frustrados, que não compunham mais a maioria da população americana.

Nos anos 1950, a promulgação da lei contra a segregação nas escolas públicas despertou novamente algumas paixões, e cruzes se acenderam. Seguiram-se batalhas, casas dinamitadas e novos crimes (29 mortos de 1956 a 1963, entre eles 11 brancos, durante protestos raciais). Os klanistas tentaram se reciclar no anticomunismo, combatendo os índios ou atenuando seu anticatolicismo fanático.

Mas nada surtiu grande efeito e o declínio da Klan já tinha começado desde o fim dos anos 1960, época em que só contava com algumas dezenas de milhares de membros. Depois, podia-se tentar distinguir os Imperial Klans of America dos Knights of the Ku Klux Klan, ou ainda dos Knights of the White Camelia, alguns dos vários nomes das tentativas de ressurgimento. Mas os klanistas não eram mais uma organização de massa. Apesar das proclamações tonitruantes e de provocações episódicas, as "Klans" não reuniam mais do que alguns milhares de membros, comparáveis assim com outros grupelhos neonazistas com os quais às vezes mantinham relações. O império invisível não parece estar perto de renascer uma segunda vez.

-Tradução de Graziella Beting

Cronologia

1865
Em 24 de dezembro, no Tennessee, foi realizada a primeira reunião da Ku Klux Klan

1869
Dissolução solene da KKK por seu chefe, general Nathan Bedford Forrest,
um estratagema de tornar suas
atividades mais secretas

1915
Sucesso do filme O nascimento de uma nação, de D. W. Griffith, em que o cineasta toma partido da KKK

1920
Novo impulso da KKK com o jornalista Edward Clarke e a rica viúva Elizabeth Tyler

1944
Sem fundos para pagar uma dívida antiga, a Klan desaparece "oficialmente" pela segunda vez