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©RYKOFF COLLECTION/CORBIS – STOCK PHOTOS |
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| Conflitos entre Japão, Rússia e China: militares do Japão e da China esmagam representante da Coreia, observados por soldado russo (caricatura/1904) |
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[continuação]
O período da dominação japonesa (1910-1945) é marcado pelo desenvolvimento econômico da Coreia. As elites coreanas, entretanto, são excluídas dos cargos de direção e formam, a partir de 1919, um movimento de resistência nacional. Em conseqüência, criam um governo provisório no exílio, primeiro em Xangai e, depois, em Washington, sob a presidência do Dr. Syngman Rhee. Em plena II Guerra Mundial, durante a Conferência do Cairo (1943), os aliados decidem restaurar a independência da Coreia, projeto executado após a derrota do Japão. Mas a Coreia é dividida em duas zonas de ocupação, uma soviética, ao norte, e outra americana, ao sul, delimitadas pelo paralelo 38.
Assim, o verão de 1948 assiste à criação de dois Estados coreanos antagônicos: ao sul, a República da Coreia, presidida por Syngman Rhee; ao norte, a República Democrática Popular da Coreia, presidida pelo comunista Kim Il-sung. Após a evacuação simultânea das tropas soviéticas e americanas (1948-1949), a Coreia do Norte tenta reunificar o país pela força. Em 25 de junho de 1950, os norte-coreanos iniciam as hostilidades. Obrigados a abandonar Seul no dia 28, os sul-coreanos obtêm a intervenção dos Estados Unidos e de uma força das Nações Unidas, composta essencialmente por americanos. A contra-ofensiva empurra as tropas da ONU para a fronteira com a China. Os chineses contra-atacam e obrigam as forças da ONU a recuar novamente para além de Seul. Progressivamente, os americanos vão ganhando terreno e estabilizam a fronteira no paralelo 38, o que significa o retorno ao ponto de partida. O armistício de Panmunjon (27 de junho de 1953) restabelece a divisão da Coreia em dois Estados separados pela linha de cessar-fogo.
Ao norte, a ditadura comunista retoma a tradição do reino eremita. O déspota Kim Song-ju decidiu trocar seu nome pelo de Kim Il-sung, evocando a figura de um resistente dos primeiros anos da guerrilha contra o Japão. Mais tarde, Kim Il-sung propagará a história de que seu avô estava entre os combatentes que expulsaram a tripulação do General Sherman, assinala Pierre Rigoulot, autor de Coreia do Norte, Estado Rebelde (Buchet Chastel, 2003). Kim Il-sung, o Grande Líder, inspira nova ideologia, a djoutché que, em novembro de 1970, substitui o marxismo-leninismo. Conforme esclarece Pierre Rigoulot, a filosofia da djoutché consiste em afirmar o domínio de si, a independência em relação às influências estrangeiras, a auto-suficiência, mas o país é, nesta época, totalmente dependente da China e da URSS; essa filosofia exalta ainda o ser coreano e a vontade humana, mas acrescenta imediatamente que esta vontade exprime-se por meio do líder. |