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Reportagem |
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| Cuba - Ilha da rebeldia |
| Os cubanos lutaram quatro séculos para se libertar do domínio espanhol. Desde os anos 50, desafiam os Estados Unidos, o que deu fama internacional ao pequeno e atrevido país |
| por Véronique Dumas |
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| Ilha de encantos: singela visão de Havana no século XIX/Paisagem de Havana, litografia colorida, Irmãos Smith, 1851 |
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[continuação]
O primeiro levante popular contra o domínio espanhol eclodiu em 1868, seguido da proclamação de uma República insurreta. A guerrilha que se seguiu duraria dez anos, mas os ativistas de então não conseguiriam se impor como poder independente.
Em 1895 começava a segunda guerra de independência, dominada por uma figura de proa do nacionalismo local: o escritor e jornalista cubano José Martí. Exilado nos Estados Unidos, em 1892 ele fundou o Partido Revolucionário Cubano e, em seguida, organizou uma expedição militar contra os espanhóis. Morreu de armas em punho, na batalha de Dois Rios, em 1895.
Suas idéias e sua obra contribuiriam para forjar a consciência política latino-americana. Em 1897, um regime de autonomia foi, por fim, conquistado por Cuba. Mas os americanos, determinados a fazer a ilha entrar para sua zona de influência, declararam guerra contra a Espanha, derrotada em poucas semanas.
Assim, depois de ter se tornado Estado independente, Cuba foi ocupada, por quatro anos, pelas tropas americanas. A famosa emenda de Platt, inserida na Constituição cubana em 1901, definia a ilha como um protetorado americano e conferia aos Estados Unidos o direito de ocupação militar, caso seus interesses fossem desrespeitados.
A construção da base naval americana na baía de Guantánamo, no sudeste da ilha, data dessa época. O primeiro presidente cubano, Tomás Estrada Palma, firmou com os Estados Unidos, em 1903, um contrato perpétuo sobre a zona que cerca a baía, renovado em 1934. Sob o regime de Fidel Castro, esse contrato se tornaria um dos pomos de discórdia entre Washington e Havana, que recorreu ao direito internacional para denunciar o caráter ilícito do documento. |
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| Véronique Dumas é doutora em história da arte contemporânea e escritora. |
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