Reportagem
  
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Cuba - Ilha da rebeldia
Os cubanos lutaram quatro séculos para se libertar do domínio espanhol. Desde os anos 50, desafiam os Estados Unidos, o que deu fama internacional ao pequeno e atrevido país
por Véronique Dumas
[continuação]

A lua-de-mel com o capitalismo terminou rapidamente, com a nacionalização de todos os bens americanos e a instauração da reforma agrária, em junho de 1959, em um país onde 40% das plantações pertenciam a estrangeiros.

A decorrente ruptura de relações diplomáticas entre Washington e Havana, o embargo americano e a aproximação de Cuba à União Soviética anunciaram uma era de repetidas tensões e ações de todo tipo, incluindo surpreendentes tentativas de eliminar o líder, dignas dos melhores filmes de espionagem.

VOLTA DA DITADURA Em abril de 1961, 1.600 refugiados cubanos anticastristas, que haviam sido treinados pela CIA, tentaram desembarcar na baía dos Porcos, no sul da ilha. A operação fora decidida pela administração do presidente americano Eisenhower e, em seguida, aceita e empreendida por Kennedy.

A invasão da baía dos Porcos foi um fiasco e envenenou ainda mais as relações entre os dois países. A crise conheceu o ponto mais agudo depois que um avião de reconhecimento americano descobriu em Cuba rampas de lançamento de mísseis de ataque virados para os Estados Unidos. Eram soviéticos.

O mundo nunca esteve tão perto de uma guerra nuclear, como naquele momento da segunda metade do século XX. Começaram as negociações entre os dois blocos: Kennedy prometeu não invadir Cuba e retirar da Turquia os mísseis voltados para a Rússia, em troca da retirada dos mísseis russos. O compromisso, aceito pela União Soviética e assumido sob o controle das Nações Unidas, evitou o conflito iminente.
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Véronique Dumas é doutora em história da arte contemporânea e escritora.
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