Reportagem
  
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Cuba - Ilha da rebeldia
Os cubanos lutaram quatro séculos para se libertar do domínio espanhol. Desde os anos 50, desafiam os Estados Unidos, o que deu fama internacional ao pequeno e atrevido país
por Véronique Dumas
[continuação]

Foi rápida a evolução do regime de Fidel Castro para uma ditadura militar, com partido único e culto à personalidade do comandante. A degradação da economia, decorrente do embargo americano e das experiências comunistas promovidas na ilha, levou milhares de cubanos ao exílio nos anos 60.

Com a corrida de cubanos pedindo asilo na embaixada do Peru em Havana, em 3 de abril de 1980, Fidel mandou retirar os guardas que protegiam o edifício. Em 48 horas, mais de 10 mil pessoas se precipitaram para lá. Outras embaixadas também foram invadidas, em um movimento encorajado pela comunidade cubano-americana.

Em 23 de abril, Fidel anunciou a instauração de uma política de portas abertas a todos os candidatos ao exílio. Mais de 125 mil cubanos embarcaram no porto de Mariel, a bordo de 17 mil embarcações.

O entusiasmo dos Estados Unidos se transformou rapidamente, diante do fluxo de refugiados. Em 20 de junho, a administração americana pôs fim ao êxodo – que recomeçaria nos anos 90. Em setembro de 1994, o país firmou com Cuba um acordo comprometendo-se a receber só 20 mil refugiados por ano.

O desaparecimento do “grande irmão soviético”, que até 1989 dava uma polpuda ajuda financeira à ilha, em troca de alinhamento político, acelerou o esfacelamento da economia cubana, que se agravou com o reforço do bloqueio americano.

O governo passou então a tomar medidas para preservar as inegáveis conquistas nas áreas de saúde e educação. Mas a legalização da utilização de dólares, a criação de empresas mistas destinadas a atrair investidores estrangeiros e a abertura do turismo não foram suficientes para melhorar o nível de vida dos cubanos.

Agora, a ainda tímida abertura econômica promovida por Raúl Castro permite esperar algumas mudanças, mesmo que não uma reforma profunda, difícil de ser aplicada enquanto nomes históricos da revolução ainda estiverem no comando.
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Véronique Dumas é doutora em história da arte contemporânea e escritora.
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