Reportagem
  
edição 58 - Agosto 2008
Deng Xiaoping - O arquiteto do milagre chinês
O pragmático sucessor de Mao Tsé-tung mudou os rumos do socialismo em seu país e traçou o projeto de desenvolver a China por meio da liberalização econômica sem democracia
por Rémi Kauffer
© DAVID HUME KENNERLY/GETTY IMAGES
Recém-empossado como vice-primeiro-ministro, Deng Xiaoping participa de recepção ao presidente americano Gerald Ford em Pequim, em 1975
Quem acredita em signos – coisa sempre importante quando se pensa na China – faz questão de lembrar que Deng Xiaoping nasceu no dia 12 de julho de 1904, sob o signo do dragão, sinônimo de grandes perturbações e, ao mesmo tempo, de prosperidade. Já os amantes da história observam que aquele também foi o ano da irrupção da Guerra Russo-Japonesa, conflito que se encerraria com a surpreendente vitória de um país asiático sobre uma potência européia.

Era o início de um século de crises e conflitos. Nos quatro cantos do mundo, e particularmente na Ásia, as reivindicações nacionais emergiam tal como o dragão adormecido desperta no seio da terra. Na China, esse dragão atendia pelo nome de Kuomintang, movimento nacionalista fundado por Sun Yatsen, do qual o próprio pai do jovem Deng era simpatizante.

O futuro líder comunista cresceu em meio a essa efervescência política e aos 15 anos, depois de concluir o ensino fundamental, partiu para a França, onde desembarcou no fim de 1920. Na Europa tomou contato com o marxismo e finalmente estabeleceu-se em Paris em 1925 enquanto uma revolta antibritânica explodia em sua terra natal. Tudo começou em Xangai, depois que um ofi cial inglês ordenou o fuzilamento de 12 chineses. Diante da agressão, os militantes do Kuomintang, agora oficialmente aliado da União Soviética e da Internacional Comunista (Comin tern), reagiram com a greve geral, marchando ao lado do Partido Comunista Chinês.

A onda de revolta chegou até a França e, na qualidade de um dos líderes comunistas chineses mais influentes em Paris, Deng ajudou a organizar grandes protestos contra a embaixada de seu país. Para fugir da perseguição que se seguiu, ele partiu para a clandestinidade e buscou exílio em Moscou.
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Rémi Kauffer é professor do Instituto de Estudos Políticos de Paris e membro do comitê editorial da revista Historia.
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