 |
© BOBBY YIP/REUTERS - LATINSTOCK |
 |
| Chineses acompanham a passagem da tocha olímpica pela província de Guangdong diante de um imenso retrato de Deng Xiaoping, em maio de 2008 |
 |
[continuação]
YIN E YANG Nessa óptica, os vínculos pessoais eram tão importantes quanto os critérios ideológicos. O ímpeto de Mao era contrabalançado pela paciência de Deng, certamente mais sensato, às vezes mau aluno, porém muito hábil e excelente organizador. Contanto que estivesse cercado de uma sólida equipe de ideólogos maoístas, o pequeno Deng podia agir.
A partir do fim de 1965, Mão procurou reconquistar o status de chefe incontestável lançando o país nos horrores da Revolução Cultural, novo episódio sangrento que causaria a perda de 60 a 70 milhões de vidas e condenaria a China a um retrocesso de anos. Seu método: a “ideologização” radical dos conflitos. Seu objetivo: mobilizar as massas e lançá-las contra o aparelho do partido e contra Liu Chao-chi, que tinham se atrevido a chutá-lo para escanteio. Sua aliada do momento: a esposa Chiang Ching.
Atormentada pelas convulsões, toda a China pensava unicamente em termos ideológicos: “Mais vale ser vermelho do que especialista”. É bem verdade que Deng se calou, mas... que fazer? Em primeiro lugar, era preciso salvar a pele. Quase na mesma situação de Liu Chao-chi, o “Kruchev chinês”, ele não tardou a ser acusado de traição por Chiang Ching, Lin Piao e Kang Cheng. Deng escolheu sua tática: não contra-atacar, aguardando que a tempestade acalmasse. Aceitou tudo sem hesitar, desde autocríticas públicas até o exílio no interior para se “reeducar” em contato com os operários.
Ao contrário de Liu Chao-chi e de Lin Piao, essa tática precavida do bambu que se dobra sem se romper permitiu-lhe sobreviver. Aliás, ele se beneficiou de dois apoios essenciais: o de Chu En-lai e o de Mao, disposto a poupar para a China o seu subordinado mais pragmático. |