[continuação]
Graças a esse apadrinhamento duplo, Deng retornou à cena em 1973, para azar de Chiang Ching e dos “radicais”. No plano prático, foi ele que auxiliou Chu, acometido de câncer tal como Kang Cheng. E, aparentemente, reatou a relação de intimidade que outrora tivera com Mao. Para a população, o nome do ex-secretário-geral do partido transformou-se em sinônimo de esperança.
Em abril de 1976, Deng e seus aliados exploraram ao máximo as manifestações na praça Tiananmem, a faísca que, com o pretexto de homenagear a memória de Chu En-lai, incendiou todo o prado contra o Bando dos Quatro (ver glossário). Enfurecido com mais essa prova de independência, Mão ordenou sua destituição, mas, simultaneamente, deu-lhe proteção pessoal. Uma vez mais o dirigente chinês aceitou acolher debaixo da asa aquele que se dispunha a torcer o pescoço do maoísmo.
Apesar de um eclipse provisório, aquele foi, na verdade, o início da irresistível ascensão de Deng Xiaoping. Mao morreu no dia 9 de setembro de 1976. A luta pela sucessão começou imediatamente, opondo o Bando dos Quatro a Hua Guofeng, um maoísta um tanto inexpressivo e menos radical, que o falecido líder havia entronizado no último momento. Antecipando-se a Chiang Ching e seus amigos, que preparavam um golpe de força, Deng e os generais moderados esmagaram o Bando dos Quatro com o apoio ativo de Wang Dongxing, o “gorila” de Mao.
Hua Guofeng não durou mais que alguns meses no poder. No fim de 1978 tudo ficou decidido: Deng se tornou o verdadeiro número um, cercado dos discípulos Hu Yaobang e Zhao Ziyang. Homens dos quais ele não vacilaria em se livrar em caso de necessidade, assim como não titubearia em jogar na prisão qualquer um que ousasse reivindicar a “quinta modernização”: a democracia. |