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Reportagem |
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| edição 70 - Agosto 2009 |
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| Dois museus, duas pauliceias |
| Acervos à parte, os prédios do Masp e da Pinacoteca contam boas histórias sobre a genialidade de seus arquitetos |
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DIVULGAÇÃO |
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| O prédio da Pinacoteca, projeto que não foi concluído; ao lado, os arquitetos Ramos de Azevedo e Lina Bo Bardi, que a seu modo mudaram a cara de São Paulo |
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São Paulo é um destino histórico pouco óbvio para o visitante. Tem um quê de Cosmópolis, a mítica cidade universal com que sonhavam os estoicos na Grécia antiga. Seus habitantes circulam austeros em meio à riqueza arquitetônica que criaram, em estilo por vezes tão eclético que chega ao ponto do indefi nível.
Dois museus da cidade mimetizam esse cosmopolitismo: os prédios da Pinacoteca, do começo do século XX, e o do Masp, de 1968. O primeiro nunca foi acabado e sobreviveu a um século de maluquices de uma cidade que não lhe dava o justo valor – quem diria, segundo muita gente hoje é o preferido dos paulistanos. O segundo, bem, não foi feito para ser bonito: o Masp é um tipo esquisito, instalado em uma avenida equivocada, a Paulista. Mas atenção: esse bicho desconcertante voa!
Chamava-se Achillina Bo a mulher que projetou o Masp. Era uma arquiteta italiana e modernista, segundo sua biografia, mas foi muito além dos rótulos ao desenhar um edifício que se tornou ícone de São Paulo. Nascida em 1914 e naturalizada brasileira em 1951, Achillina, por aqui, ficou conhecida como Lina Bo Bardi. Morreu em 1992.
Francisco de Paula Ramos de Azevedo foi o homem que projetou o prédio da Pinacoteca. Nasceu em 1851 e morreu em 1928, deixando um vasto legado arquitetônico. Seu escritório assinou os projetos do Teatro Municipal de São Paulo e do Mercado Municipal, entre outros.
História Viva pediu a dois arquitetos que fornecessem referências para que os visitantes do Masp e da Pinacoteca compreendessem o espírito desses marcos da cidade. A seguir, trechos de seus depoimentos.
UM PRÉDIO “VOA” SOBRE A PAULISTA Marcelo Ferraz mudou de Cambuí (MG) para São Paulo em 1974, para ingressar na Faculdade de Arquitetura da Universidade de São Paulo (FAU-USP). Conheceu nesse tempo o Masp. Uma vez matriculado na universidade, descobriu que lá ninguém estudava a mulher que mudou o conceito de inserção de um prédio na cidade. “A academia fingia que Lina Bo Bardi e sua arquitetura não existiam.” Anos mais tarde, Ferraz seria um dos arquitetos que tiveram o privilégio de conviver e trabalhar com ela. |
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