Reportagem
edição 104 - Junho 2012
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Em Sarajevo, atentados em série
O assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando em 1914, que entrou para a história como estopim da Primeira Guerra Mundial, não foi um ataque isolado. No mesmo dia, o herdeiro do trono austro-húngaro já havia escapado da morte
 
Coleção particular
O momento do ataque retratado em ilustração de jornal da época: Gavrilo Princip atira no casal imperial, ilustração publicada no Le Petit Journal, 1914
[continuação]

Os conspiradores estavam a postos. Eles tinham previsto se dividir em três grupos ao longo do cais Appel, artéria principal da cidade que margeia o rio Miljacka, por onde o cortejo oficial deveria passar. O plano era simples: quando vissem o carro do arquiduque, lançariam suas bombas e se matariam. Mas havia três grandes lacunas: a primeira em relação à própria concepção do plano. Para dar certo, seria preciso que o carro, ao desfilar diante dos conspiradores, esperasse que a bomba o atingisse ou, no caso de fracasso dos primeiros lançamentos, seguisse seu caminho para que os próximos pudessem tentar sua chance.

O segundo problema diz respeito às bombas, obtidas em Belgrado. Cada uma, de 15 cm de comprimento, 5 cm de largura e 3 cm de espessura, era muito pesada para ser escondida em um bolso. Além disso, para acioná-la, era preciso arrancar o fecho metálico que protege o detonador, bater com força contra um objeto duro para armá-lo e contar até dez antes de lançá-la, sabendo que ela normalmente explodiria no final de 12 segundos. Tudo isso representava, para um atentado a ser cometido no meio da multidão, e provavelmente entre as forças de ordem, uma proeza que exigia imenso sangue-frio.

Terceira lacuna: os conspiradores eram jovens. Vaso Čubrilović acabara de completar 17 anos; Nedeljko Čabrinović e Gavrilo Princip tinham 19. Apesar de determinados, eram inexperientes e, no momento da ação, ficariam diante de seu destino. Cada um teria de ultrapassar a distância que separa a intenção de matar ao ato.

O grupo se encontrou por volta das 8 horas da manhã na doceria Vlanic, na esquina do cais Appel. Cada um trazia uma bomba amarrada na cintura, revólver em um bolso e cianureto no outro, e seguiam individualmente para o cais, indo e voltando, conversando com os transeuntes para evitar chamar a atenção. Eles sabiam, por meio de Danilo Ilić, que havia lido nos jornais, que Francisco Ferdinando deveria estar no segundo carro do cortejo. Mas um carro de polícia abriu o cortejo, gerando a dúvida sobre se o arquiduque estaria no segundo ou no terceiro carro.
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