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Reportagem |
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| edição 104 - Junho 2012 |
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| Em Sarajevo, atentados em série |
O assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando em 1914, que entrou para a história como estopim da Primeira Guerra Mundial, não foi um ataque isolado. No mesmo dia, o herdeiro do trono austro-húngaro já havia escapado da morte
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Reprodução |
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O arquiduque Francisco Ferdinando (1863-1914), herdeiro do trono do Império Austro-Húngaro, com a esposa, Sofia Chotek (1868 -1914) e seus três filhos
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[continuação]
O primeiro dos conspiradores, e também o mais velho, Muhamed Mehemedbašić, estava bem na frente, no cais. O local era pouco favorável, pois estava muito cheio. Um pouco mais distante, Nedeljko Čabrinović perambulava, buscando se colocar em um local mais vazio, próximo de um poste de luz, para conseguir armar discretamente sua bomba em uma superfície dura que ficasse à sua altura. Trifko Grabež andava meio sem rumo, indeciso, ao longo do cais. Cvjetko Popović parecia estar paralisado pela dúvida. Por último, Gavrilo Princip se posicionou próximo à ponte Lateiner.
Quando o cortejo entrou em Sarajevo, e depois chegou ao cais, os conspiradores estavam teoricamente prontos. A multidão aclamava o casal imperial. Os carros desfilaram diante de Muhamed Mehmedbašić, mas nada aconteceu. Um pouco mais adiante, Nedeljko Čabrinović, que tomara a precaução de arrancar antes o tampão que protegia o sistema de acionamento de sua bomba, se dirigiu a um policial e perguntou em qual carro estava o arquiduque. O policial indicou-lhe o terceiro. Quando este chegou a sua altura, Čabrinović pegou a bomba, bateu o detonador no poste de luz para armá-la e, sem lembrar de esperar os dez segundos, jogou-a na direção de Francisco Ferdinando.
Ao mesmo tempo, o motorista do carro do arquiduque, surpreso pelo barulho do armamento da bomba, que pensou ser um tiro, pisou instintivamente no acelerador. O carro deu um tranco, e a bomba aterrissou não exatamente no fundo do veículo, mas bem atrás do arquiduque, sobre a capota aberta. Ela ricocheteou, caiu no chão e explodiu alguns segundos depois, perto do carro seguinte. O tamanho do buraco que fez no chão, de cerca de 15 cm de profundidade e 30 cm de diâmetro, dá uma ideia do que teria acontecido caso ela tivesse explodido nos pés de Francisco Ferdinando e Sofia. Ao ouvir a explosão, o arquiduque mandou o motorista parar, preocupado em saber se alguém tinha sido assassinado. Não era o caso. Apenas alguns pedestres, como o coronel Erich von Merizzi e o conde Alexandre Boos-Waldeck, tinham ficado levemente feridos. O cortejo retomou seu caminho, passando, sem obstáculos, diante dos outros conspiradores, e chegou à prefeitura.
Ato heroico No cais, a polícia se lançou na perseguição a Čabrinović e em busca de seus prováveis cúmplices. O fugitivo tomou sua dose de cianureto, e, por mais estranho que isso possa parecer, o veneno só provocou nele alguns vômitos. Sem ousar atirar contra si mesmo, foi se esconder. Logo foi encontrado pelos policiais, que lhe perguntaram se ele era sérvio. Sem saber do fracasso de seu ataque, ele respondeu: “Sou um herói sérvio”.
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