Reportagem
edição 104 - Junho 2012
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Em Sarajevo, atentados em série
O assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando em 1914, que entrou para a história como estopim da Primeira Guerra Mundial, não foi um ataque isolado. No mesmo dia, o herdeiro do trono austro-húngaro já havia escapado da morte
 
Reprodução
Os cúmplices Gavrilo Princip (à esq.) e Nedelko Gabrinovic (à  dir.), em foto de 1912, durante encontro em Belgrado com Milan Ciganovic, que os ensinou a manipular os armamentos usados no ataque dois anos depois
[continuação]

Na prefeitura, furioso, Francisco Ferdinando já não suportava o discurso de circunstância proferido pelo prefeito. “Eu venho a Sarajevo como amigo e sou recebido com uma bomba! Que ultraje!” Sofia acalmou-o. O protocolo foi retomado. Durante a recepção que se seguiu, o arquiduque perguntou, com humor e cinismo, ao general Potiorek, governador da província e, por isso, responsável por sua segurança, se ele devia esperar receber outras bombas. Potiorek garantiu-lhe que não. Entretanto, pensou em modificar a sequência da visita. Em vez de ir, como estava previsto, ao museu, sugeriu a Francisco Ferdinando que fosse diretamente ao Konak, onde deveria almoçar, ou voltar para Bad Ilidje, para mostrar à população seu descontentamento. Outros oficiais propuseram, ainda mais sabiamente, que ele ficasse na prefeitura até a chegada do exército.

Francisco Ferdinando decidiu de outra forma. Quis ir para o hospital visitar Merizzi. Seu estado-maior aceitou a mudança de itinerário. Inicialmente, o cortejo imperial deveria deixar o cais Appel, uma avenida bastante larga, virando à direita na altura da ponte Lateiner para pegar a rua Franz Joseph em direção ao centro da cidade e suas ruas estreitas. Em vez disso, o cortejo ficaria o máximo de tempo possível no cais, antes de tomar a direção do hospital. Francisco Ferdinando, por mais que não deixasse parecer, estava preocupado. Não por ele, mas por sua mulher. E decidiu que eles não fariam o deslocamento juntos; Sofia, em vez de acompanhá-lo ao hospital, iria para o Konak, de onde retornaria para o hotel de Bad Ilidje. Mas ela recusou.

O casal deixou a prefeitura. Sofia subiu no carro e se colocou à direita do marido. Apenas um veículo prece-dia o do arquiduque. A bordo, o chefe da polícia. Deixando, à esquerda, a ponte do imperador, ele prosseguiu pelo cais Appel. Chegando à altura da ponte Lateiner, o veículo da frente, em vez de seguir adiante, conforme o decidido, virou à direita, de acordo com o itinerário inicial. Não se sabe se o motorista não havia sido informado da mudança de trajeto ou se virara simplesmente por reflexo. De toda forma, reduzindo a velocidade, ele entrou na rua Franz Joseph, que leva ao museu. O motorista do carro imperial seguiu-o, naturalmente. O general Potiorek, furioso, começou a berrar, ordenando que dois carros fizessem meia-volta para se dirigir ao hospital pelo cais Appel. O carro imperial fez uma manobra perigosa na rua estreita. A cena ocorreu diante dos olhares da multidão, feliz por ver de perto o casal imperial.
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