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Reportagem |
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| edição 104 - Junho 2012 |
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| Em Sarajevo, atentados em série |
O assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando em 1914, que entrou para a história como estopim da Primeira Guerra Mundial, não foi um ataque isolado. No mesmo dia, o herdeiro do trono austro-húngaro já havia escapado da morte
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Reprodução |
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Policiais prendem Gavrilo Princip (à dir.) instantes depois de o ativista fazer o disparo que matou do casal
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[continuação]
Gavrilo Princip estava lá, por acaso, desapontado e provavelmente furioso por terem fracassado nos ataques no cais. Não pensava mais em plano de assassinato nem tinha qualquer outra intenção particular. A oportunidade, para ele, já havia passado. Mas, de repente, contra qualquer expectativa, diante dele, a menos de 2 metros, em um veículo parado, estava o casal imperial.
Ele ainda levava a bomba e o revólver. Princip ainda hesitou um instante, pois a pessoa que estava diante dele não era Francisco Ferdinando, mas Sofia. Depois, por instinto, reagiu. Ignorou a bomba, sacou a pistola e atirou sem mirar. Durante o processo criminal que se seguiu, ele reconheceria que chegou a virar a cabeça no momento de atirar. Quando lhe perguntaram quantas vezes teria apertado o gatilho de sua arma, ele respondeu que era incapaz de dizer quantas vezes atirara, em quem atirara e se havia atingido ou não seu “alvo imperial”.
Gavrilo atirou duas vezes. A primeira bala atingiu Francisco Ferdinando na jugular. A segunda pegou Sofia na região do abdômen. Os espectadores lançaram-se sobre ele. Um deles o pegou pelo braço. Como não podia mais utilizar sua arma, restava-lhe o cianureto. E começou a vomitar, como Čabrinović. Estranho. A polícia não teve problemas em capturá-lo. Mais difícil foi protegê-lo da multidão.
Nos minutos que se seguiram, o carro correu para a residência do governador. Ninguém se deu conta da gravidade dos ferimentos. Francisco Ferdinando, consciente, pensava antes de tudo em dar apoio a Sofia. Potiorek viu que eles chegaram a trocar algumas palavras. “Não foi nada, não foi nada”, repetia o arquiduque a cada instante. Sofia perdeu a consciência e caiu sobre os joelhos de Francisco Ferdinando, que sangrava pela boca. Princip atirou às 10h30. Sofia morreu às 10h45, e Francisco Ferdinando, às 11 horas.
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<b>Frédéric Guelton</b> é coronel da reserva e historiador, trabalhou durante 20 anos no Serviço Histórico da Defesa da França
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