Reportagem
  
edição 54 - Abril 2008
Encontramos Rômulo e Remo!
Arqueólogos romanos descobriram a gruta onde, segundo a lenda, os gêmeos que fundaram Roma teriam sido amamentados pela loba. Todos os anos, no dia 15 de fevereiro, acontecia uma festa no local
por Baudouin Eschapasse
Rômulo e Remo, óleo sobre tela, Pieter Paul Rubens, 1615-1616, Pinacoteca Capitolina, Roma
A lenda da loba que cuida dos gêmeos perdidos mistura história e mito na origem de Roma
O lugar se parece com uma caverna. A gruta de dimensões imponentes, 9 metros de diâmetro por 7 metros de altura, tem paredes decoradas com conchas e afrescos geométricos. No centro, uma grande pintura, uma águia branca sobre um fundo de céu azul. Descoberta em novembro passado, essa sala subterrânea que fica no coração do Germanum, a parte mais sagrada do monte Palatino, no centro de Roma, lembra os hipogeus egípcios que serviam de última residência para os nobres.

Porém, não é um monumento funerário. Ao contrário. De acordo com os arqueólogos que a encontraram – encabeçados pelo professor Giorgio Croci – é a Lupercal, a gruta mítica onde os gêmeos Rômulo e Remo teriam sido amamentados por uma loba. A localização do sítio, sob o palácio de Augusto – que se proclamava o novo Rômulo –, coincide com um local de culto mencionado por Denis de Halicarnasso, historiador grego do século I antes de Cristo. Para o arqueólogo Andrea Carandini, a identificação dessa caverna com a Lupercal mencionada pelo autor antigo não dá margem a dúvidas. A águia branca pintada sobre um fundo de céu azul é o símbolo imperial. Prova de que o imperador incorporara a seu palácio esse lugar altamente simbólico da história romana.

Voltemos à lenda. Rômulo e Remo, filhos da vestal Réia Sílvia e do deus Marte, foram colocados numa cesta e jogados no rio Tibre por um rei usurpador que esperava assim livrar-se deles. Após a cesta encalhar na margem do rio, eles foram amamentados por uma loba, e, em seguida, recolhidos e criados pelo pastor Fausto. Quando se tornaram adultos, os dois irmãos decidiram fundar uma cidade sobre o monte Palatino, no lugar onde o Tibre os havia deixado. Designado rei por sorteio, Rômulo traçou com o arado um sulco para marcar os limites da futura cidade. Adota-se geralmente 753 a.C. como o ano da fundação de Roma. Essa data é comprovada pelas descobertas arqueológicas de 2005 que permitiram desenterrar, perto do Fórum, os vestígios de um palácio datado do século VIII antes de nossa era.
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Baudouin Eschapasse é jornalista e colaborador da revista Historia
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