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Reportagem |
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| edição 54 - Abril 2008 |
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| Encontramos Rômulo e Remo! |
| Arqueólogos romanos descobriram a gruta onde, segundo a lenda, os gêmeos que fundaram Roma teriam sido amamentados pela loba. Todos os anos, no dia 15 de fevereiro, acontecia uma festa no local |
| por Baudouin Eschapasse |
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MUSEU DO LOUVRE, PARIS |
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| Mármore em homenagem ao deus Pã, a versão grega de Fauno Luperco, deus da fertilidade |
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[continuação]
FESTAS PAGÃS O Palatino é realmente um local propício à mitologia. Nessa colina realizavam-se rituais ancestrais ligados tanto à fertilidade quanto à lenda das origens: as lupercais. Essas festas romanas muito antigas aconteciam em honra ao deus fauno Luperco, divindade pastoral, com o intuito de assegurar a fertilidade dos campos e dos rebanhos. As cerimônias ocorriam no dia 15 de fevereiro de cada ano e coincidiam com a primavera, que começava no dia 5 de fevereiro. Elas são associadas a um ritual de expiação de todas as ofensas aos deuses cometidas pelos homens. Daí vem a etimologia do mês de fevereiro, em latim februarius, que vem de Februa, a festa da purificação. Nessa data, fazia-se uma grande limpeza nas casas e, em seguida, espalhavam-se sal e trigo pelos cômodos.
Os 12 lupercos, os “sacerdotes-lobo”, reuniam-se na Lupercal, a famosa gruta, onde sacrificavam bodes e um cachorro. Durante a cerimônia, lambuzavam de sangue dois jovens oriundos das mais antigas famílias aristocráticas de Roma, apresentados como descendentes diretos dos fundadores da Cidade Eterna – os Fabianos e os Quintiliares, aos quais Júlio César acrescentaria os Julianos. Esses jovens eram conduzidos até o altar de sacrifícios e suas testas ungidas com o sangue dos animais executados. A marca era imediatamente apagada por um chumaço de lã embebido em leite. Os jovens deviam então dar uma gargalhada ritual.
Em seguida os lupercos lançavam-se numa perseguição através das ruas da velha Roma quadrata, a cidade fortificada construída pelo próprio Rômulo. Após terem dado a volta ao monte Palatino, rindo e derramando vinho para purificar o sítio, eles percorriam a cidade, cobertos por peles de animais, chicoteando a população com tiras das peles dos animais mortos naquela manhã. Uma crença popular rezava que esses açoites traziam a fertilidade e favoreciam a descida do leite das mães, de maneira semelhante à flagelação com um ramo de murta durante a festa da Lucaria, em julho. Na esperança de livrar-se das dores do parto, as mulheres grávidas ofereciam-se espontaneamente ao chicote. |
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| Baudouin Eschapasse é jornalista e colaborador da revista Historia |
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