Reportagem
  
edição 59 - Setembro 2008
Famílias nada tradicionais
Na Roma antiga, as uniões civis não tinham o caráter sagrado que assumiram após o surgimento do cristianismo. A profusão de divórcios e casamentos dos nobres da época deixaria corados os defensores dos bons costumes
por Catherine Salles
© SUPERSTOCK/KEYSTONE
As mulheres romanas eram mais independentes do que fazem crer as representações sobre o período/ A partida de Coriolano, óleo sobre tela, R. Postiglione, século XIX, coleção particular
Os romanos não tinham um termo específico para designar o que chamamos “família”. A palavra familia englobava todos aqueles que viviam sob a autoridade do pater familias, crianças e adultos, homens e mulheres, livres e escravos. Empregavam também a palavra domus (casa) que representava todos que moravam em uma mesma habitação.

Em Roma existiam três estruturas distintas: a família nuclear, a tríade pai-mãe-filho; a família ampliada – várias gerações que coabitavam sob a autoridade do patriarca; e finalmente a família múltipla, que congregava pessoas e outras famílias nucleares unidas por contratos de casamento.

Nas classes médias e populares as famílias eram muito mais estáveis do que na aristocracia. Nas inscrições funerárias há elogios freqüentes às mulheres que viveram em paz com seus maridos durante 20, 30, até 60 anos. Mas também existiram famílias reconstituídas. A morte de um dos cônjuges levava o sobrevivente a assumir uma nova união. Alguns documentos mencionam mulheres que foram casadas várias vezes.
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 »
Catherine Salles é especialista em história romana, publicou La Rome des Flaviens (A Roma dos Flávios) (Perrin, 2002),Quand lês dieux parlaient aux hommes (Quando os deuses falavam com os homens) (Tallander, 2003) e Histoire du mariage (A história do matrimônio) (La Martinière, 2006).
Veja aqui todas as reportagens publicadas neste site!