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Reportagem |
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| edição 60 - Outubro 2008 |
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| Hollywood a serviço do pentágono |
| Há mais de 90 anos o Departamento de Defesa orienta a produção dos filmes de guerra americanos, que retratam os conflitos de acordo com os interesses estratégicos da Casa Branca |
| por Victor Battaggion |
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DIVULGAÇÃO |
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| Altos e baixos da Guerra Fria: nos anos 70, o fracasso dos Estados Unidos no Vietnã abriu uma crise entre Hollywood e o Pentágono. Filmes como Apocalypse Now (1) e Platoon (2) foram rodados sem apoio do exército e apresentaram uma visão crítica dos soldados americanos. A situação se inverteu nos anos 80, quando produções como Rambo (3) e Top Gun (4) se tornaram verdadeiras peças de propaganda das Forças Armadas. Finalmente, em 1990, A caçada ao Outubro Vermelho (5) colocou um ponto final no confronto entre Estados Unidos e União Soviética nas telas de cinema |
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[continuação]
Durante o período entre-guerras proliferaram filmes que exaltavam a superioridade militar americana e procuravam convencer o público de que os Estados Unidos deveriam enfrentar a escalada do totalitarismo do Velho Continente. Finalmente, em 7 de dezembro 1941, o bombardeio da frota americana em Pearl Harbor pela aviação japonesa iria convencer definitivamente os americanos de que seu país deveria entrar de cabeça na Segunda Guerra Mundial. Hollywood se mobilizou. Atores como James Stewart, Robert Montgomery, Tyrone Power, Douglas Fairbanks e Clark Gable alistaram-se no exército. Em 1942, o presidente Franklin D. Roosevelt institucionalizou as relações com Hollywood com a criação do Office of War Information (Escritório de Informações de Guerra) e convidou John Ford e Frank Capra a colocarem seus talentos a serviço do esforço de guerra. Capra assumiu a direção dos serviços cinematográficos do exército, e Ford foi enviado ao Pacífico para cobrir em primeira mão o conflito.
Com o fim da Segunda Guerra Mundial, o cinema americano passou a ser pautado pela Guerra Fria. Em Hollywood, a “caça às bruxas” promovida pelo senador Joseph Mc- Carthy desencadeou uma perseguição contra roteiristas, produtores e atores simpatizantes do Partido Comunista Americano. Nos anos 60, o casamento entre os diretores e o Departamento de Defesa viveu um período de esplendor com filmes que celebravam os feitos do exército americano, como O mais longo dos dias, produzido por Darryl F. Zanuck (1962); Uma batalha no inferno, de Ken Annakin (1965) e Tora! Tora! Tora!, de Richard Fleischer (1970).
A Guerra do Vietnã, porém, colocou um freio nessa aliança cordial. As manifestações contra o conflito se multiplicaram e os americanos se dividiram. Hollywood se absteve de filmar a guerra e, diante desse silêncio, em 1968 John Wayne pediu ao presidente americano que intercedesse junto ao exército para que este o ajudasse a adaptar para o cinema o romance The green berets (Boinas Verdes), no intuito de inspirar “uma atitude patriótica nos americanos”. Bingo! O exército lhe forneceu tudo que desejava, além de uma doação de vários milhões de dólares. Reacionário até não poder mais, o filme é uma apologia da luta armada conduzida no Vietnã. |
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| Victor Battaggion é jornalista e colaborador da revista Historia. |
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