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Reportagem |
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| edição 60 - Outubro 2008 |
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| Hollywood a serviço do pentágono |
| Há mais de 90 anos o Departamento de Defesa orienta a produção dos filmes de guerra americanos, que retratam os conflitos de acordo com os interesses estratégicos da Casa Branca |
| por Victor Battaggion |
[continuação]
A queda do muro de Berlim, em 1989, mudou a situação. A caçada ao Outubro Vermelho, de John Mc-Tiernan, em 1990, sacramentou a idéia de que a União Soviética não era mais uma ameaça para os Estados Unidos. O filme narra a história de um comandante russo, interpretado por Sean Connery, que, em vez de atacar os Estados Unidos com um submarino nuclear , o entrega aos antigos inimigos. A produção contou com grande apoio da Marinha americana, que chegou a abrir a base de Norfolk para as filmagens. Para completar, Fred Thompson, o ator que interpreta o almirante Joshua Painter do USS Enterprise, é um senador republicano carismático na vida real.
No momento em que os russos deixaram de ser uma ameaça, quem se tornaria o novo inimigo? Diante do vácuo de oponentes, a cooperação Hollywood-Pentágono criou um gênero de filme diferente. “Não se trata mais de guerra, mas de segurança nacional. A nova força narrativa coloca em cena desafios assimétricos, isto é, concentra-se em temáticas do terrorismo, de armas de destruição em massa e até da máfia”, conta Maurice Ronai, pesquisador da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais de Paris. Os atentados de 11 de setembro de 2001 colaboraram para uma nova aproximação entre o mundo do cinema e o Pentágono, e agora, além do Departamento de Defesa, a CIA, o FBI e outros serviços secretos em permanente rivalidade também passaram a colaborar com os estúdios de cinema. Inimigo do Estado, de Tony Scott (1998); Em má companhia, de Joel Schumacher (2002); A soma de todos os medos, de Phil Alden Robinson (2002) e O novato, de Roger Donaldson (2003), são alguns exemplos de longas-metragens que tiveram auxílio dos serviços especiais americanos. Paralelamente, o estrondoso sucesso de O resgate do soldado Ryan, de Steven Spielberg (1998), relançou a moda dos filmes com altos orçamentos que tratam da Segunda Guerra Mundial.
Mas, passada a febre pós-11 de Setembro, o Pentágono e Hollywood parecem estar novamente se distanciando. Desde que os soldados americanos começaram a ser enviados para o inferno iraquiano, o Estado-Maior vem enfrentando dificuldade cada vez maior para conseguir novos recrutas e, após um período de silêncio, Hollywood começou a produzir uma série de filmes sobre o conflito. Essas novas produções, no entanto, não expressam uma opinião muito favorável sobre as decisões tomadas pelo Departamento de Defesa nos últimos tempos. |
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| Victor Battaggion é jornalista e colaborador da revista Historia. |
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