Reportagem
  
edição 69 - Julho 2009
Miragem do Oriente
O Egito faraônico chegou ao fim com a conquista muçulmana. Na mente dos europeus, foi substituído por um Egito fantástico, distante da realidade histórica
por Claudine Le Tourneur d\\'Ison
HEARST SAN SIMEON STATE HISTORICAL MONUMENT, SAN SIMEON
Frente a frente com o desconhecido: cena artística recria um momento da incursão militar de Napoleão no Egito, em 1798/ Edipe, óleo sobre tela, Jean Léon Gérôme, 1863
Durante muito tempo, o Egito não passou de pano de fundo de algumas peripécias bíblicas: foi lá que José e Moisés ficaram famosos, e que a sagrada família se refugiou. Depois vieram as Cruzadas, com seu lote de batalhas, conflitos, vitórias.

Parte do roteiro de lugares santos, o país ganhou lentamente o interesse dos ocidentais. Suas paisagens passaram a ser observadas, suas ruínas foram descobertas. Chegou- se mais perto da população egípcia, e os primeiros estrangeiros que se arriscaram a percorrer aquele território contaram suas aventuras.

Foi preciso, porém, esperar pelo século XVIII e pela era dos grandes exploradores para que relatos mais precisos propiciassem uma visão global e, ao mesmo tempo, detalhada do antigo reino dos Faraós. É verdade que, desde a Antiguidade, o Egito fascinava vizinhos, visitantes e invasores. Mas foi só no século XVIII que o país se tornou uma referência que fazia sonhar, inquietava ou maravilhava.

As obras e monumentos do tempo da civilização faraônica exerciam uma influência tal que desencadeariam a expedição de Napoleão Bonaparte, em 1798, entre outras menos famosas. E fariam surgir, no século XIX, uma nova ciência, a egiptologia.
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Claudine Le Tourneur d\\'Ison é egiptóloga graduada pela Escola do Louvre, trabalha para a imprensa escrita e para a TV estatal francesa. Ela também é autora de livros como Une passion égyptienne (Uma paixão egípcia) (Plon), Mariette-Pacha (Plon) -ganhador do prêmio História da Academia Francesa - Lauer et Saqqara (Tallandier), L´Egypte et les pharaons (O Egito e os Faraós) (Tallandier), Je suis né en Egypte il y a 4700 ans (Eu nasci no Egito, há 4700 anos) (Albin Michel).
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