Reportagem
  
edição 69 - Julho 2009
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Miragem do Oriente
O Egito faraônico chegou ao fim com a conquista muçulmana. Na mente dos europeus, foi substituído por um Egito fantástico, distante da realidade histórica
por Claudine Le Tourneur d\\'Ison
COLEÇÃO PRINCESA ISABEL
“Egiptomania” à brasileira: d. Pedro II (de barba branca e chapéu), acompanhado de boa parte da família real, em passeio ao país em 1871
[continuação]

O povo da Antiguidade clássica já havia explorado o Egito como uma terra exótica. Os gregos elaboraram toda uma fantasia sobre o lugar que os romanos e, em seguida, os homens dos tempos modernos retomaram e desenvolveram. É que essa civilização oferecia todos os elementos lendários e misteriosos favoráveis à elaboração de alegorias.

Heródoto, historiador grego da Antiguidade, observou que os próprios egípcios tinham estabelecido seus costumes e leis segundo um modo muito diferente e até contrário ao dos outros homens. Assim, o país mostrava ser um universo bem mais misterioso e antigo que a civilização greco-romana.

O Egito foi reconhecido como berço da sabedoria e das ciências humanas, ideia originalmente defendida pelo filósofo grego Platão, que viveu entre os séculos V e IV antes de Cristo. Mais tarde, no período greco-romano, Plutarco se debruçou sobre a religião egípcia.

Roma foi por longo tempo o ponto de contato fundamental entre o Egito e o Ocidente. Impôs, contudo, uma visão um tanto confusa do país. Já no tempo do Renascimento, essa ambiguidade desnorteou os pesquisadores. Como distinguir com clareza a parte verdadeiramente faraônica da interpretação feita pelos romanos?
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Claudine Le Tourneur d\\'Ison é egiptóloga graduada pela Escola do Louvre, trabalha para a imprensa escrita e para a TV estatal francesa. Ela também é autora de livros como Une passion égyptienne (Uma paixão egípcia) (Plon), Mariette-Pacha (Plon) -ganhador do prêmio História da Academia Francesa - Lauer et Saqqara (Tallandier), L´Egypte et les pharaons (O Egito e os Faraós) (Tallandier), Je suis né en Egypte il y a 4700 ans (Eu nasci no Egito, há 4700 anos) (Albin Michel).
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