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Reportagem |
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| edição 69 - Julho 2009 |
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| Miragem do Oriente |
| O Egito faraônico chegou ao fim com a conquista muçulmana. Na mente dos europeus, foi substituído por um Egito fantástico, distante da realidade histórica |
| por Claudine Le Tourneur d\\'Ison |
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GALERIA NACIONAL DE ARTE, WASHINGTON |
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| Miscelânea: pintores passaram a imaginar paisagens egípcias, mas misturavam elementos de outras culturas/ A Sagrada Família nos degraus, óleo sobre tela, Nicolas Poussin, 1648 |
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[continuação]
A escrita egípcia, incompreensível e enigmática, foi objeto de considerável número de especulações dos neoplatônicos renascentistas, que nela procuravam as chaves da sabedoria. Em 1471, o Corpus hermeticum, traduzido por Marsílio Ficino, e o Hieroglyphica, de Horapollo, publicado em 1515, tiveram tamanho sucesso que foram reimpressos várias vezes ao longo do século XVI.
As obras suscitaram um inacreditável fascínio pelos hieróglifos, fazendo surgir interpretações errôneas dessa escrita, ao mesmo tempo que alimentavam a imaginação de artistas. O poder hipnótico dos sinais gráficos engendrava mitos e lendas, excluindo da escrita sagrada toda e qualquer noção de fonética, transformando-a em puro símbolo para iniciados.
Os hieróglifos deram lugar a uma importante literatura poética, mas também esotérica e alquímica. No século XVII, os linguistas começaram a se perguntar se estavam lidando com uma escrita divina, simbólica ou inspirada.
Alexandre Lenoir, arqueólogo apaixonado que criou o Museu dos Monumentos Franceses, em 1795, era conhecido por sua “egiptomania”. O interesse pelos hieróglios o levou a muitas especulações. Tanto que recusou com veemência o trabalho feito pelo lingüista e egiptólogo Champollion, ninguém menos que o primeiro decifrador dos hieróglifos. |
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| Claudine Le Tourneur d\\'Ison é egiptóloga graduada pela Escola do Louvre, trabalha para a imprensa escrita e para a TV estatal francesa. Ela também é autora de livros como Une passion égyptienne (Uma paixão egípcia) (Plon), Mariette-Pacha (Plon) -ganhador do prêmio História da Academia Francesa - Lauer et Saqqara (Tallandier), L´Egypte et les pharaons (O Egito e os Faraós) (Tallandier), Je suis né en Egypte il y a 4700 ans (Eu nasci no Egito, há 4700 anos) (Albin Michel). |
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