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Reportagem |
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| edição 69 - Julho 2009 |
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| Miragem do Oriente |
| O Egito faraônico chegou ao fim com a conquista muçulmana. Na mente dos europeus, foi substituído por um Egito fantástico, distante da realidade histórica |
| por Claudine Le Tourneur d\\'Ison |
[continuação]
Essa egiptomania se prolongou por séculos e legou uma variedade incalculável de objetos. Já a partir do fim do século XV, muitos foram os artistas que produziram imagens mais ou menos corretas de relatos de viagem. Mas foi sobretudo a partir da segunda metade do século XVIII que o movimento ganhou impulso. A pintura de paisagem era ideal para dar livre curso a essas fantasias. Hubert Robert, grande mestre na matéria, criava palácios e ruínas clássicas com lavadeiras e jovens.
Esse extraordinário encantamento se produziu na arquitetura, no mobiliário, na decoração interior, nos objetos de arte, no teatro e, posteriormente, no cinema. Mais sensível à evolução de estilos e modismos do que às descobertas arqueológicas, o cinema se alimentava dos próprios mitos, símbolos e sonhos ancestrais.
Nenhum outro país, nenhuma outra civilização foi jamais portadora de mensagens comparáveis às do Egito. Os deuses e reis nilóticos deram a volta ao planeta e foram alçados à condição de origem das grandes civilizações da Europa. Seu mundo encantado transfigurou a história das religiões e dos povos.
A dominação islâmica pôs fim a uma cultura herdada do tempo dos faraós. Esse desfecho e os avanços na decifração da escrita egípcia tiveram como consequência a criação de um Egito imaginário, universal e imortal, que substituiu o Egito histórico. |
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| Claudine Le Tourneur d\\'Ison é egiptóloga graduada pela Escola do Louvre, trabalha para a imprensa escrita e para a TV estatal francesa. Ela também é autora de livros como Une passion égyptienne (Uma paixão egípcia) (Plon), Mariette-Pacha (Plon) -ganhador do prêmio História da Academia Francesa - Lauer et Saqqara (Tallandier), L´Egypte et les pharaons (O Egito e os Faraós) (Tallandier), Je suis né en Egypte il y a 4700 ans (Eu nasci no Egito, há 4700 anos) (Albin Michel). |
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