|
 |
|
 |
|
 |
|
 |
|
|
|
 |
Reportagem |
|
|
| edição 69 - Julho 2009 |
 |
|
|
« 1 2 3 4 5 6 |
| Miragem do Oriente |
| O Egito faraônico chegou ao fim com a conquista muçulmana. Na mente dos europeus, foi substituído por um Egito fantástico, distante da realidade histórica |
| por Claudine Le Tourneur d\\'Ison |
[continuação]
É verdade que o mito do país faraônico remonta aos historiadores da Antiguidade. Mas haveria muito mais ao longo dos séculos, como as referências ao antigo Egito na literatura romanesca, sob a forma do “romance arqueológico”. Em Séthos, de Jean Terrasson, publicado em 1731, o herói, depois de ser iniciado nos mistérios de Mênfis, vai levar as luzes egípcias até povos selvagens, por ocasião de uma longa expedição pela África.
Outro romance, esse entre os mais lidos do século XVIII, é Telêmaco, de Fénelon, que se parece com um manual escolar. A obra começa pela história e geografia do Egito, como se fosse uma fábula, ao mesmo tempo que acompanha o herói em seu itinerário, da adolescência à idade adulta. Assim, essa terra de iniciações tornava-se o local emblemático da conquista da maturidade.
RELATOS Até o início do século XIX, o país era um dos mais importantes pontos de atração do Oriente para os viajantes e escritores ocidentais, como terra secular de religiões e berço cosmogônico e intelectual da humanidade. O viajante descobria o espetáculo de um velho Oriente imutável, popularizado na Europa por contos e relatos fantásticos.
Havia já um excesso de textos sobre o Egito, o que fez o escritor francês François-René de Chateaubriand afirmar, em Itinerário de Paris a Jerusalém: ”Ninguém espera de mim que eu descreva o Egito (...). Mas o que eu diria do Egito? Quem ainda não o conhece?”. Claude- Étienne Savary, nas Cartas sobre o Egito, de 1785, se maravilha com os jardins de Roseta: “Ao norte da cidade, encontramos os jardins no qual os limoeiros, as laranjeiras, as tamareiras, os sicômoros (figueiras) brotam ao acaso. Essa desordem não tem graça, mas a mistura dessas árvores, sua abóbada impenetrável aos raios de sol, as flores que salpicam irrefletidamente nesses bosques tornam a penumbra encantadora”.
Em 1787, por ocasião de sua estada no Egito, o conde de Volney, um apaixonado por história e línguas antigas, fornecia uma imagem menos complacente: “Cada um tem seus próprios gostos, e julga de acordo com eles. Acredito que para um egípcio o Egito será sempre o mais belo país do mundo, apesar de só ter visto aquele. Mas se eu puder expressar minha opinião, como testemunha ocular, confesso que minha visão não é assim tão positiva”.
Durante aqueles mesmos anos, o conde Jean Potocki, escritor polonês de língua francesa, descobriu o Cairo por ocasião de uma onda de fome: “Nossa chegada ao Cairo não nos brindou com cenas agradáveis. Fazia cerca de um mês que a fome se abatia sobre aquela imensa cidade. Esse horrendo flagelo que eu mal conhecia, só por descrições de historiadores, vivi ali em todo o seu horror”. Era o fim das Mil e uma noites. |
|
« 1 2 3 4 5 6 |
| Claudine Le Tourneur d\\'Ison é egiptóloga graduada pela Escola do Louvre, trabalha para a imprensa escrita e para a TV estatal francesa. Ela também é autora de livros como Une passion égyptienne (Uma paixão egípcia) (Plon), Mariette-Pacha (Plon) -ganhador do prêmio História da Academia Francesa - Lauer et Saqqara (Tallandier), L´Egypte et les pharaons (O Egito e os Faraós) (Tallandier), Je suis né en Egypte il y a 4700 ans (Eu nasci no Egito, há 4700 anos) (Albin Michel). |
|
|
|
|
|
|
|
|