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Reportagem |
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| edição 49 - Novembro 2007 |
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| O berço do ETA |
| A organização terrorista do País Basco, que acabou de anunciar um cessar-fogo definitivo, nasceu na década de 60, quando jovens europeus escolhiam o caminho das armas para transformar seus sonhos políticos em realidade |
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(C)AFP |
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| Um comando do grupo separatista ETA |
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por Xavier Vinader
“Queríamos assaltar o céu. Éramos jovens utópicos e pensávamos que a história estava do nosso lado. Acreditávamos profundamente no nosso papel de vanguarda revolucionária capaz de conscientizar as massas trabalhadoras e transformar os rumos da história. E a história, definitivamente, nos deu com a porta na cara.”
Adriana dá um gole em seu cappuccino sentada à mesa de um café em Roma e olha para o fundo da praça como se tentasse enxergar uma paisagem inexistente. Quem observa sua fala pausada e suave, seus gestos lentos, que utiliza para sublinhar determinadas frases, sua postura informal, mas elegante, e seus olhos claros, não pode imaginar que está diante de uma mulher que militou na base das Brigadas Vermelhas desde seu início. Sem se identificar com seu nome real, ela passou mais de uma década nas celas das prisões italianas condenada por sua militância, até voltar a circular pelas ruas em liberdade na condição de “dissociada”.
Adriana faz parte de uma geração de jovens europeus que optaram pela luta armada como meio de atingir seus objetivos políticos. Uma geração cuja história começa na Alemanha, em fevereiro de 1965, quando 2 mil estudantes protestaram em Berlim Ocidental contra os bombardeios da força aérea americana no Vietnã. Naquele dia, um grupo de 500 manifestantes desgarrou-se da marcha para apedrejar a fachada da embaixada dos Estados Unidos.
Em 2 de junho de 1967, a situação recrudesceu quando um policial à paisana matou a tiros um integrante da União de Estudantes Socialistas durante um protesto contra a visita do xá do Irã ao país. No ano seguinte, o principal dirigente dessa organização, Rudi Dutschke, foi ferido em um atentado por um radical de extrema direita. Os membros da União de Estudantes saíram às ruas e pedras voaram novamente, acompanhadas agora por coquetéis molotov. Dessas fileiras da União sairia a maioria dos fundadores da RAF (Rotte Armee Fraktion – Fração do Exército Vermelho, em alemão), grupo de militantes que optou por continuar a luta pela via armada. |
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