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Reportagem |
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| edição 54 - Abril 2008 |
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| O outro sonho americano |
| Nos anos 60, negros hippies e estudantes da Nova Esquerda questionaram o American way of life e denunciaram a hipocrisia de uma sociedade dominada pelo consumo, o racismo e a paranóia da Guerra Fria |
| por Sean Purdy |
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© AGIP/RUE DES ARCHIVES |
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| Martin Luther King, principal nome da luta contra o racismo nos Estados Unidos, faz seu famoso discurso “Eu tenho um sonho” durante a Marcha pelo Trabalho e Liberdade em Washington, em 1963. O assassinato de King em 68 gerou manifestações por todo o país |
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Em setembro de 1968, o diretor da CIA, Richard Helms, entregou ao presidente Lyndon Johnson um relatório intitulado “A juventude agitada” e propôs aumentar a vigilância policial sobre os jovens radicais dos Estados Unidos e da Europa. Helms tinha motivos para se preocupar.
O ano de 1968 testemunhou um súbito aumento do movimento contra a Guerra do Vietnã, com massivas manifestações e uma onda de ocupações nas universidades; jovens negros sublevaram-se em mais de 100 cidades em reação ao assassinato de Martin Luther King, amado líder do movimento por direitos civis; os Panteras Negras, com sua doutrina de auto defesa armada contra o Estado, ganharam expressivo apoio nos bairros pobres negros; e uma Nova Esquerda ampliou-se, chamando os jovens a rejeitarem os valores capitalistas e a paranóia da Guerra Fria. Esse espírito de rebeldia política também encontrou espaço entre os jovens que criticavam as convenções da classe média, adotando novos estilos de vida.
As tensões que estouraram nos EUA em 1968 foram, na realidade, o resultado de um amplo embate entre forças sociais antagônicas iniciado, nos anos 50, que se estenderia até meados da década de 70.
Embora a economia prosperasse, a sociedade estava dividida. A paranóia anticomunista da Guerra Fria, os valores familiares conservadores e a desigualdade econômica, social e racial permeavam o país. O fracasso do governo e dos líderes tradicionais em resolver tais tensões provocou uma explosão de movimentos sociais – por direitos civis, paz, liberdade sexual e cultural – que contestaram o consumismo, a ganância, as autoridades e o conformismo social.
MOVIMENTO POR DIREITOS CIVIS Pobreza, discriminação, segregação, linchamento e violência policial – tudo isso caracterizava a vida dos negros dos Estados Unidos nos anos 50. Aproveitando as mensagens de liberdade e prosperidade do discurso oficial e apoiados por seus aliados brancos, negros de todo o país, tanto dos estados outrora escravistas do sul quanto dos do norte, construíram o mais importante movimento da história dos Estados Unidos, o “Movimento por Direitos Civis”. |
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| Sean Purdy é professor de história dos Estados Unidos na USP |
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