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Reportagem |
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| edição 51 - Janeiro 2008 |
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| Os britânicos na armadilha iraquiana |
| Há 90 anos os ingleses se lançavam na mesma aventura que hoje obceca George W. Bush, cometendo os mesmos erros e inaugurando a era dos governos manipulados pelo Ocidente no Oriente Médio |
| por Rémi Kauffer |
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KEITH W. DEVINNEY/U.S. NAVY |
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| Ao fundo, tropas inglesas na cidade iraquiana de Ctesifon em 1915; acima, soldado americano patrulha as ruas de Bagdá em 2006 |
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[continuação]
Uma vez instalados em Basra, os ingleses começaram a aumentar seu campo de ação a partir de agosto de 1915. O comandante-em-chefe britânico na Mesopotâmia lançaria a divisão Townshend bem mais ao norte, em direção à cidade de Kut al-Amara, localizada a 200 km de Bagdá. Tendo chegado até ali, por que não avançar sobre a capital? Foi nesse momento que a demonstração de força se transformou em invasão. Townshend tentou alertar sobre a modéstia de seus efetivos. O general contava então com 13 mil homens e, segundo suas próprias palavras, “para tomar Bagdá, necessitaríamos de um exército”. As ponderações de Townshend, porém, se perderam no vazio. Não havia muito o que fazer quando o diplomata e chefe do corpo expedicionário, Percy Cox, já declarara que a queda de Bagdá teria “a mesma importância que a de Constantinopla”. De fato, a armadilha acabou funcionando contra Charles Townshend: depois de avançar até Ctesifon, a 100 km de Bagdá, sua divisão teve de bater em retirada em face da contra-ofensiva das forças otomanas instruídas por oficiais alemães. Retrocedeu até Kut al-Amara onde, sitiada por cinco meses seguidos, de dezembro de 1915 a abril de 1916, acabou hasteando a bandeira branca.
Kut al-Amara foi a única capitulação de uma grande unidade britânica durante a Primeira Guerra Mundial. A derrota, no entanto, não impediu que as tropas de Sua Majestade criassem raízes no sul da Mesopotâmia. Nem poderia ser diferente: vários organismos da burocracia imperial traçavam seus planos para o Oriente Médio. De um lado estavam o Raj, governo britânico das Índias, e o Índia Office de Londres e de Bombaim. De outro, o Arab Bureau do Cairo, um serviço rival que apoiava a guerrilha antiturca que desde junho de 1916 eclodira no centro da Península Arábica. Os chefes da guerrilha, Hussein ibn Ali, o xerife de Meca, e seus quatro filhos pertenciam à prestigiosa linhagem dos hachemitas.
Foi nesse contexto que os britânicos retomaram a ofensiva no front da Mesopotâmia sob as ordens de um novo comandante-em-chefe, o major-general Stanley Maude. Esse experiente militar de 53 anos, que recebeu o merecido apelido de “Systematic Joe”, planejou a nova campanha meticulosamente. Em 24 de fevereiro de 1917, Kut foi retomada. Em 11 de março, a 13a divisão britânica arrancou Bagdá das mãos dos otomanos depois de dois dias de combate. Dia 18, cairia Bakuba e, no dia seguinte, Falluja. |
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| Rémi Kauffer é professor do Instituto de Estudos Políticos de Paris e membro do comitê editorial da revista Historia |
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