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Reportagem |
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| edição 51 - Janeiro 2008 |
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| Os britânicos na armadilha iraquiana |
| Há 90 anos os ingleses se lançavam na mesma aventura que hoje obceca George W. Bush, cometendo os mesmos erros e inaugurando a era dos governos manipulados pelo Ocidente no Oriente Médio |
| por Rémi Kauffer |
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REPRODUÇÃO |
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| Em 1921, Faissal é coroado rei do Iraque na presença de oficiais ingleses e ao som do hino nacional britânico |
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[continuação]
O próprio Faissal, como todos os hachemitas, era sunita, e a primeira coisa que fez ao desembarcar no Iraque em junho de 1921 foi realizar um hábil périplo pelas cidades santas xiitas de Nadjaf e Kerbala, antes de chegar a Bagdá. Em julho, um “referendo” faria dele o futuro rei, com 96% de aprovação da população. O resultado, no entanto, tinha pouco de espontâneos, os ingleses haviam manipulado a consulta lançando mão de artifícios como o de fazer eleitores iletrados acreditar que se tratava de uma consulta sobre o abastecimento de açúcar ou convencer os xiitas de que os hachemitas eram partidários de sua concepção do Islã.
Em 23 de agosto, Faissal foi coroado na presença de Percy Cox e do general Aylmer Haldane ao som de uma fanfarra que tocava God save the King, o hino nacional do Reino Unido. A mensagem foi plenamente compreendida e correspondida pelo recém-empossado soberano, que em 10 de outubro de 1922 assinaria o primeiro tratado de amizade anglo-iraquiana. O mandato britânico sobre o Iraque expiraria em setembro de 1932, mas a influência inglesa permaneceria graças a pessoas como Gertrude Bell, que havia sido a principal conselheira britânica do rei Faissal, e Kinahan Cornwallis, veterano do Arab Bureau transformado em “conselheiro especial” do ministro iraquiano do Interior. Apoiada pelo poder inglês, a dinastia hachemita permaneceria no poder por mais 25 anos após a morte de Faissal, em 1933. Esse período, porém, se encerraria abruptamente em 14 de julho de 1958 com o assassinato do rei Faissal II e de sua família por militares golpistas. O atentado iniciaria o ciclo de agitações políticas que conduziram Saddam Hussein ao poder em 1979. |
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| Rémi Kauffer é professor do Instituto de Estudos Políticos de Paris e membro do comitê editorial da revista Historia |
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