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Reportagem |
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| Os cultos e refinados Filisteus |
| A Bíblia os descreveu como um povo belicosoe bárbaro, mas os arqueólogos têm uma opinião bem diferente acerca desses antigos habitantes de Canaã |
| por Elisabeth Yehuda |
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| Fragmento esculpido em calcário encontrado no templo de Ramsés III |
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[continuação]
Um segundo grupo de estudiosos considera a tese de assentamento compulsório dos povos do mar bastante plausível, mas argumenta que a descrição do local de colonização é muito vaga. Esses pesquisadores ponderam que os filisteus podem ter sido levados a algum lugar ao norte do reino egípcio. E como este era bastante vasto, não é impossível que a Terra de Canaã, sob domínio do Egito nos tempos de Ramsés III, tenha sido o local do desterramento. Os sepultamentos ao estilo egípcio lá encontrados, possivelmente herdados pelos recém-chegados de seus dominadores, e os objetos escavados na região juntamente com peças de cerâmica moldadas à moda filistina depõem a favor dessa teoria.
Uma terceira linha de pesquisa coloca em dúvida as conquistas e relatos de glória de Ramsés III. Segundo seus defensores, os egípcios não saíram de modo nenhum vitoriosos das batalhas contra os filisteus e estes teriam colonizado a região de Canaã por conta própria. As marcas de destruição nos postos egípcios avançados, como em Tel el-Farah, nos quais foi encontrada cerâmica tipicamente filistina, parecem comprovar essa hipótese.
A origem dos povos do mar é mais um assunto de disputa entre os estudiosos, que concordam apenas sobre o espaço do Egeu como local de procedência. Alguns pesquisadores consideram a região micênica como berço dos filisteus. Outros, mais cuidadosos, defendem uma opinião conservadora: a pátria dos povos do mar seria Chipre. E há ainda os audazes, que consideram que a colonização de Canaã se deu a partir da Anatólia. Estes chegam a lançar mão da Ilíada de Homero como repositório de informações sobre a origem filistina. Afinal, se o famoso arqueólogo alemão Heinrich Schliemann conseguira encontrar Tróia guiado pelos versos do grande poeta grego, então não parece impossível que Menelau ou Odisseu, que depois de intermináveis périplos haviam atracado nas costas da Líbia e do Egito, tenham sido os ancestrais dos filisteus.
O registro arqueológico só reconstitui a origem filistina até Chipre, a última estação inquestionavelmente pertencente aos povos do mar em sua peregrinação rumo ao sul. Depois disso, qualquer tentativa de relacionar os diversos achados fracassa em função da semelhança dos supostos vestígios com os remanescentes de outras culturas oriundas do Egeu. |
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| Elisabeth Yehuda É arqueóloga do Instituto Israelita de Arqueologia |
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