Reportagem
  
edição 63 - Janeiro 2009
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Sons da velha metrópole
É possível capturar na história um momento especial, no qual a salada de sons musicais em São Paulo já não pôde ser vista como falta de personalidade. Ao contrário, tornou-se a própria base da identidade paulistana
por José Geraldo Vinci de Moraes
© ACERVO ICONOGRAPHIA
Regional do Rago: disputado na programação das nascentes rádios paulistanas
[continuação]

Já a expansão da indústria fonográfica local foi mais tímida. As grandes gravadoras estavam no Rio de Janeiro, tanto que boa parte dos artistas paulistanos e de outros estados gravava nos estúdios cariocas.

Mesmo assim, entre 1928 e o início da década de 30, a Ouvidor, a Colúmbia, a Imperador e a Parlophon realizavam gravações elétricas em São Paulo. Pouco tempo depois, restava apenas a Colúmbia, instalada em 1929. No fim da década de 30, surgiram a Arte Phone e a Brasilphone, gravadoras de vida efêmera.

Apesar da presença da Colúmbia, compositores, músicos e cantores como Léo Peracchi, Denis Brean e um ainda desconhecido João Rubinato – nome verdadeiro de Adoniram Barbosa –, reclamavam, no final dos anos 30, do descaso e da pouca importância dada aos discos e aos compositores paulistanos.

Os meios de comunicação mudaram a vida dos instrumentistas. Nas décadas anteriores, os integrantes de conjuntos regionais e de choro apresentavam-se em salas de cinema, teatros e circos. Nos anos 30, passaram a transitar também por gravadoras e rádios, para acompanhar intérpretes mais famosos.
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José Geraldo Vinci de Moraes é professor de História na Universidade de São Paulo (USP). Autor de Sonoridades Paulistanas (Funarte - 1997); Metrópole em Sinfonia (Estação Liberdade - 2000) e Conversas com Historiadores Brasileiros (Ed. 34 - 2002)
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