Reportagem
  
edição 63 - Janeiro 2009
« 1 2 3 4 5 6 7 8 9 »
Sons da velha metrópole
É possível capturar na história um momento especial, no qual a salada de sons musicais em São Paulo já não pôde ser vista como falta de personalidade. Ao contrário, tornou-se a própria base da identidade paulistana
por José Geraldo Vinci de Moraes
MUSEU DO BEXIGA, SÃO PAULO
A profissionalização convivia com as rodas informais de música no bairro do Bom Retiro
[continuação]

Os músicos transformaram-se, assim, em autênticos intermediários culturais. Eles transitavam pelo universo cultural da elite (orquestras), do povo (rodas de choro) e pelos novos meios eletrônicos do rádio e do disco. Freqüentavam o ambiente formal dos concertos, e o informal, das serenatas. Trabalhavam no espaço público das festas, e no privado, das gravadoras.

Os chorões e seresteiros rapidamente ocuparam as emissoras de rádio paulistanas, mas raramente para apresentar suas composições, que pouco espaço tiveram na radiofonia brasileira. O violonista Canhoto (Américo Jacomino) foi um dos poucos a quebrar essa regra, com talento e fama anteriores à era do rádio paulistano.

No decorrer da década de 30, os Regionais se multiplicaram. Era a formação mais ágil e interessante para acompanhar os cantores. Em geral, seus músicos mantinham a tradição doméstica e informal de identificá-los com o nome do líder. Havia o Regional do Canhoto (Educadora), o do Armandinho (Educadora e Record), o do Miranda (Record), o do Pinheirinho (Record), o do Esmeraldino (Tupi), o do Mauro Silva (Piratininga) e o do Rago (Tupi).
« 1 2 3 4 5 6 7 8 9 »
José Geraldo Vinci de Moraes é professor de História na Universidade de São Paulo (USP). Autor de Sonoridades Paulistanas (Funarte - 1997); Metrópole em Sinfonia (Estação Liberdade - 2000) e Conversas com Historiadores Brasileiros (Ed. 34 - 2002)
Veja aqui todas as reportagens publicadas neste site!