Reportagem
  
edição 63 - Janeiro 2009
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Sons da velha metrópole
É possível capturar na história um momento especial, no qual a salada de sons musicais em São Paulo já não pôde ser vista como falta de personalidade. Ao contrário, tornou-se a própria base da identidade paulistana
por José Geraldo Vinci de Moraes
© ACERVO ICONOGRAPHIA
Auditório da Record: entre as pioneiras, era atração na praça da República
[continuação]

A profissionalização do músico não impediu o hábito de participar de rodas informais de música, principalmente no caso do choro. As “rodas” eram um núcleo de trocas e de encontros sociais e culturais, dinâmica fundamental para a existência do gênero e dos próprios instrumentistas. De acordo com o violonista Antonio D’Áurea, “o chorão precisa de ambiente para tocar e se desenvolver”.

Instrumentistas como o violonista Antonio Rago e o flautista João Carrasqueira, “o canarinho da Lapa”, tiveram sua carreira vinculada às rádios, mas nunca deixaram de participar de redes informais de sociabilidade musical.

Essa rápida profissionalização, porém, não deu condições para os músicos paulistanos sobreviverem exclusivamente de sua arte. Poucos conseguiram alcançar esse objetivo. Comparado ao do Rio de Janeiro, capital do país, o ambiente profissional de São Paulo seguia restrito e fortemente influenciado pela efervescência carioca. Por isso, artistas como o flautista Carrasqueira, o cantor Moacyr Braga, o chorão D’Áurea e muitos outros eram também artesãos, funcionários públicos, operários, pequenos comerciantes etc.

Para fugir dessa situação, muitos migraram para o Rio em busca de reconhecimento e dinheiro. Entre centenas deles, alcançaram reconhecimento e importância músicos como Garoto, Vadico, Zé Carioca, Alvarenga e Ranchinho, Gaó, Laurindo de Almeida e até o radialista/ locutor mais famoso da cidade, César Ladeira. A exceção à regra foi Paraguassu, que alcançou sucesso e sobreviveu como artista na capital paulista e no interior.
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José Geraldo Vinci de Moraes é professor de História na Universidade de São Paulo (USP). Autor de Sonoridades Paulistanas (Funarte - 1997); Metrópole em Sinfonia (Estação Liberdade - 2000) e Conversas com Historiadores Brasileiros (Ed. 34 - 2002)
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