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Reportagem |
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| edição 63 - Janeiro 2009 |
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| Sons da velha metrópole |
| É possível capturar na história um momento especial, no qual a salada de sons musicais em São Paulo já não pôde ser vista como falta de personalidade. Ao contrário, tornou-se a própria base da identidade paulistana |
| por José Geraldo Vinci de Moraes |
[continuação]
A essa altura, começaram a ocorrer mudanças importantes no samba e no carnaval paulistanos. Se de um lado a incipiente organização do carnaval significou apoio, destaque e dinheiro às suas estruturas amadoras, de outro subtraiu-lhe o caráter informal e local. Desse modo, os antigos cordões passaram a experimentar certa decadência.
A concorrência tornou-se mais aguda, ultrapassando os limites da ingênua disputa entre comunidades e bairros, obrigando-os a uma maior organização. Os desfiles foram perdendo a aura lúdica e descompromissada, e as disputas passaram a gerar brigas entre os cordões. Os confrontos mais famosos, nos anos 30, foram entre o Camisa Verde e o Vai-Vai, que protagonizaram batalhas de rua.
Foi nesse novo cenário que surgiram as primeiras escolas de samba paulistanas. A memória sobre as escolas precursoras ainda é precária e confusa. De todo modo, se reconhece na Escola de Samba Lavapés, fundada entre 1936-1937 pela Madrinha Eunice, a primeira escola de samba local com atividade permanente.
Desde sua fundação, a Lavapés procurou se organizar como uma escola de samba nos moldes das cariocas. Assim, em vez de se apresentar ao som e ao ritmo da marchasambada paulistana, passou a tocar e a dançar as marchas carnavalescas de acento carioca. Mestre-sala e porta-bandeira passaram a ocupar o lugar de destaque que cabia aos balizas, e as vestes tornaram-se mais elaboradas e luxuosas. |
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 | José Geraldo Vinci de Moraes é professor de História na Universidade de São Paulo (USP). Autor de Sonoridades Paulistanas (Funarte - 1997); Metrópole em Sinfonia (Estação Liberdade - 2000) e Conversas com Historiadores Brasileiros (Ed. 34 - 2002) |
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