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Reportagem |
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| edição 63 - Janeiro 2009 |
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| Sons da velha metrópole |
| É possível capturar na história um momento especial, no qual a salada de sons musicais em São Paulo já não pôde ser vista como falta de personalidade. Ao contrário, tornou-se a própria base da identidade paulistana |
| por José Geraldo Vinci de Moraes |
[continuação]
Com apenas três anos de existência, a Lavapés tornou-se a grande força do carnaval paulistano, saindo vitoriosa em diversos concursos. Na esteira de seu sucesso, surgiram outras escolas entre o fim da década de 30 e início dos anos 40, como a Rosas Negras, Brinco de Ouro e Brasil Moreno.
Nas escolas, elementos próprios da música e do carnaval paulistano como os “choros” (pequenos conjuntos de cordas e sopros) e o tradicional bumbão de Pirapora desapareceram. O som e o ritmo da marcha-sambada foram esquecidos pelos novos sambistas.
A instável base de sustentação sociocultural da população negra, que diminuía em São Paulo, e o confronto com outras experiências culturais existentes na cidade, dificultaram a permanência de suas manifestações regionais, obstruindo a integração e a conquista de um espaço social e cultural mais sólido.
Gradativamente, o criativo samba e as músicas do carnaval carioca, impulsionados pela indústria do rádio e do disco, encontraram em São Paulo mercado propício para se expandir. E o samba urbano paulistano, em construção desde o início da década de 10, não conseguiu transformar suas tradições e nem ingressou nos meios de comunicação como um elemento definidor, como ocorreu no Rio de Janeiro ou com a música sertaneja em São Paulo. |
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 | José Geraldo Vinci de Moraes é professor de História na Universidade de São Paulo (USP). Autor de Sonoridades Paulistanas (Funarte - 1997); Metrópole em Sinfonia (Estação Liberdade - 2000) e Conversas com Historiadores Brasileiros (Ed. 34 - 2002) |
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