Reportagem
  
edição 53 - Março 2008
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Stalin: Uma lenda fabricada sob medida
Documentos revelam que até 1917, por trás da fachada de revolucionário exemplar, o líder soviético operou como agente da polícia secreta do czar
por François Kersaudy
COLEÇÃO PARTICULAR
Stalin é fichado na prisão em 1908. Sua “fuga” seria organizada pela própria polícia
[continuação]

De volta a Tiflis, Djougachvili-Ivanovitch começou o recrutamento para suas operações de expropriação... Mas no início de abril de 1906, foi novamente detido pela Okhrana; no entanto, sua pena foi aliviada no mesmo dia! Isso porque ele forneceu aos agentes do czar o endereço da tipografia clandestina de Avlabar, dirigida pelos mencheviques, que foi destruída pelos policiais e pelos cossacos em 15 de abril. Neste momento, o delator já havia partido para assistir ao congresso social-democrata de Estocolmo. Naturalmente, a Okhrana receberia um relatório das deliberações redigido pelo agente Ivanov; ocorreria o mesmo no ano seguinte, no Congresso de Londres.

No final de 1908, o expropriador-provocador-delator foi para Vologda, onde ficou exilado por dois anos por decreto especial do ministro do Interior. Sua “evasão”, nove meses depois, foi organizada pela Okhrana, que lhe forneceu um passaporte com o nome de “Totomiantz”, armênio de Tiflis...

Isso porque a polícia do czar precisava novamente de seus serviços em Baku, para que se infiltrasse nos meios nacionalistas armênios e nas organizações sindicais revolucionárias. Mas, uma vez ali, ele cometeu gafes, e desde o início de 1910, o chefe do sindicato dos tipógrafos o acusou abertamente de ser um agente provocador – acusação logo reforçada pelo chefe dos bolcheviques de Baku, Chaoumian, que tinha alguns motivos para se lembrar de seu delator de 1905... Em fins de março de 1910, o comitê do partido social-democrata de Baku se reuniu para decidir sobre o caso do agente provocador Totomiantz. Mas o local da reunião foi cercado pela polícia, e todos os membros do comitê foram detidos. O agente armênio Totomiantz, agora queimado no Cáucaso, não tinha mais utilidade para a Okhrana e foi enviado para Vologda para ali cumprir o resto de sua pena!

Após sua libertação em junho de 1911, o Congresso Pan-Russo de Praga se reuniu, e Lenin nomeou discretamente Ivanovitch (Stalin) “agente do Comitê central”. Mas para esse comitê, Lenin elegeu também o delegado dos trabalhadores de Moscou, um certo Malinovski...
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François Kersaudy é professor da Universidade Paris I, especialista em história contemporânea e autor de Stalin pela coleção “2 euros” do Memorial de Caen
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