Reportagem
  
edição 53 - Março 2008
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Stalin: Uma lenda fabricada sob medida
Documentos revelam que até 1917, por trás da fachada de revolucionário exemplar, o líder soviético operou como agente da polícia secreta do czar
por François Kersaudy
[continuação]

Leon Trotski, exilado no México, escrevia uma biografia de Stalin o que não poderia ser mais perigoso... Uma primeira tentativa de assassinato em maio de 1940 fracassou, mas a segunda, em 20 de agosto, funcionou perfeitamente: Trotski foi definitivamente silenciado.

Após 35 anos de eliminações impiedosas e falsificações sistemáticas, não deveria ter subsistido o menor vestígio do passado de Iossif Vissarionovitch Djougachvili-Stalin. Entretanto, bem depois de sua morte, os documentos continuaram a aparecer. Foi assim que, em 1964, de acordo com o historiador Roman Brackman, foi encontrado nos arquivos da Okhrana de Irkoutsk um telegrama de setembro de 1903, proveniente da Okhrana de Kutaisi, escrito nos seguintes termos: “I. V. Djougachvili tem intenção de fugir. Não o impeçam. Dêem assistência”. Em novembro de 1966, a revista Newsweek anunciou a descoberta do antigo diplomata e sovietólogo americano George Kennan, segundo o qual “o passaporte utilizado por Stalin para assistir ao Congresso de Estocolmo em 1906 tinha sido fornecido pela polícia secreta”. Depois, em 1990, a historiadora Z. Serebriakova escreveu no número 7 da revista Sovierchenno Sekretno que ela havia descoberto nos arquivos de Estado soviéticos a origem do relatório manuscrito redigido em 1912 enviado à Okhrana pelo agente Vassili-Ivanov-Djougachvili, sobre as diferentes facções do partido social-democrata. Enfim, em uma recente biografia de Stalin, Edvard Radzinsky mostra uma entrevista de Olga Chatounovskaïa, militante bolchevique desde 1916, presa por ordem de Stalin e reabilitada por Kruschev: “Chatounovskaïa disse que os documentos sobre a carreira de Stalin como agente provocador foram mostrados a Kruschev, mas que, diante dos pedidos para realizar investigações complementares, este teria levantado os braços ao céu e declarado: ‘É impossível. Isso significaria que nosso país foi dirigido durante 30 anos por um agente da polícia secreta do czar’”.
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François Kersaudy é professor da Universidade Paris I, especialista em história contemporânea e autor de Stalin pela coleção “2 euros” do Memorial de Caen
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