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Reportagem |
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| edição 71 - Setembro 2009 |
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| Uma encruzilhada fatal |
| O Afeganistão está no cruzamento político mais “quente” do planeta. Os vizinhos Paquistão e Índia, detentores de armas nucleares, disputam a Caxemira desde 1947, e o primeiro está no limiar do abismo político. É nessa zona cheia de armadilhas que Obama embrenhou ainda mais os Estados Unidos |
| por Osvaldo Coggiola |
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© Pascal Manoukian/Sygma/Corbis/Latinstock |
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| Foto de 1980, na província de Kunar, onde combatentes afegãos das montanhas, os chamados mujahedin humilharam soviéticos que tentaram invadir o país |
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De rota de intercâmbio comercial entre Império Romano, China e Índia, o Afeganistão se tornou, no século VII, zona de conquista islâmica e, mais tarde, no século XVIII, colônia britânica. Túmulo de pretensões soviéticas no século XX, esse campo milenar de conflitos acabou se transformando em uma espécie de pesadelo ocidental do século XXI.
Em outubro de 2001, depois dos atentados de 11 de setembro, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) invadiu o Afeganistão, basicamente com forças dos Estados Unidos. Está lá até hoje, em uma ofensiva adotada como prioridade na política externa do presidente americano Barack Obama. A história antiga e a recente do país, porém, indicam que é grande o perigo de um revés, de consequências globais.
Em 2003, a suposta cumplicidade de Saddam Hussein com a Al-Qaeda levou os EUA, sem o aval da ONU, a invadir o Iraque. Embora o regime talibã, no Afeganistão, e o de Saddam, no Iraque, tenham sido derrubados, as duas ocupações foram se transformando em um inferno para os americanos, com fortes perdas militares, violações escancaradas do direito internacional, uso público da tortura (em Guantánamo e outras bases militares extraterritoriais) e desprestígio internacional crescente.
Recém-eleito, Obama pretendeu dar uma virada política: o novo presidente anunciou a retirada dos EUA do Iraque até 2012, mas decidiu manter (e reforçar) a presença no Afeganistão. Mesmo porque o presidente afegão Hamid Karzai foi escolhido a dedo para aceitar a ocupação militar na Ásia Central, e a presença americana nesse país conta com o aval da chamada “comunidade internacional”. |
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| Osvaldo Coggiola é professor do programa de pós-graduação em história econômica da USP e autor do livro A revolução iraniana(Unesp, 2008) |
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