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Reportagem |
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| edição 60 - Outubro 2008 |
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| O verdadeiro Asterix foi derrotado por César |
| O líder histórico dos gauleses que inspirou a criação de Asterix, liderou a resistência contra Roma. Derrotado no campo de batalha, e forçado a se render, sua epopéia foi transformada em mito a serviço do nacionalismo francês |
| por Paul M. Martin |
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Alesia cercada por Julio Cesar, oleo sobre painel, Melchior Feselen, seculo XVI, Alte Pinakothek, Munique /© THE BRIDGEMAN ART LIBRARY/GETTY IMAGES |
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| Na batalha da Alésia, as forças de Vercingetorix, (nas fortificações no fundo do quadro), convocaram os demais gauleses (na parte inferior da pintura) para atacar o cerco feito pelos legionários de Cesar (nos acampamentos) |
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[continuação]
O exército de socorro chegou tarde demais. Apresentou-se diante das linhas romanas somente em 20 de setembro, quando os sitiados, desesperados, consideravam a possibilidade de recorrer ao canibalismo para sobreviverem. Os 250 mil homens, somados aos 50 ou 60 mil guerreiros de Alésia, deveriam vencer facilmente os 70 mil romanos. Mas estes estavam enterrados nas linhas de defesa, perigosamente mortais. Possuíam uma artilharia de catapultas eficiente, e soldados unidos na dura disciplina romana, sob o gênio militar de César. Do outro lado, os sitiados enfraquecidos pela desnutrição, e os reforços compostos na maioria por camponeses mal armados e mal treinados, pouco motivados a lutar tão longe de casa por uma causa incerta. Vercingetorix, isolado na fortaleza sitiada, não comandou o exército que veio tentar salvá-lo. Impotente, presenciou, do alto das muralhas, à sua derrota.
Os reforços gauleses realizaram três ataques em quatro dias contra as defesas romanas. O primeiro foi um ataque de cavalaria que foi vencida pelos germânicos de César. No dia seguinte, todo o exército gaulês atacou as linhas romanas que quase sucumbiram, não fosse pela presença de espírito de dois tenentes de César – um deles era Marco Antônio – que cobriram as brechas com tropas transferidas de outros pontos. O último ataque, o mais inteligente, colocou em confronto uma posição exposta do dispositivo romano e uma ação de comando de guerreiros de elite gauleses, enquanto o resto do exército fazia pressão sobre as linhas romanas. César, com seu manto púrpura de general, foi obrigado a intervir pessoalmente para libertar sua posição. Em seguida, o exército romano atacou os gauleses, que debandaram. Sob um luar fatal, a cavalaria de César contra-atacou massacrando os fugitivos.
No dia seguinte, Vercingetorix convocou a assembléia. Observou que ele não iniciara essa guerra para satisfazer uma ambição pessoal, mas pela liberdade de todos. Como era preciso ceder ao destino, ele se ofereceu. Enviaram uma delegação a César para tratar desse assunto. Este ordenou que entregassem as armas e lhe trouxessem os chefes. César estava nas trincheiras, à frente do campo de batalha. Entregaram Vercingetorix e depuseram as armas.
PRISÃO EM ROMA O que se destaca claramente no relato é que Vercingetorix foi entregue por seu próprio estado-maior, que obedeceu a um ultimato de César exigindo a rendição total, incondicional. Por que César insistiu em ter Vercingetorix vivo? Para fazê-lo desfilar em seu triunfo. Era um costume romano que os chefes vencidos estivessem presentes, junto com o butim tomado do inimigo, no momento da cerimônia triunfal que consagrava a glória do general vencedor, atravessando Roma em um carro pomposo com suas tropas até o Capitólio. É o que aconteceria a Vercingetorix seis anos mais tarde, em setembro de 46 a.C. |
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| Paul M. Martin é historiador, especialista em Antigüidade e professor da Universidade de Montpellier-III. |
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