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Baixa renda buscará bens duráveis e sustentará mercado consumidor
14h06

SÃO PAULO - Daqui para a frente, o mercado consumidor deve crescer com base no brasileiro de baixa renda, que demandará mais bens duráveis inferiores, segundo o professor da FGV (Fundação Getulio Vargas), Marcos Fernandes.

O acesso a esses bens só será possível porque o mundo vive um efeito Brasil, que ganhou em produtividade, bem como um efeito China, país que consegue baratear seus produtos ao desembolsar pouco com mão-de-obra.

"O mercado consumidor vai crescer e vai crescer com base nesse novo consumidor, que é um consumidor de renda baixa, que vai demandar produtos com maior valor agregado", afirmou.

Bens inferiores
De acordo com Fernandes, o aumento do consumo se concentrará nos bens inferiores, que são aqueles não tão sofisticados e de marcas não tão importantes quanto os substitutos próximos.

"Isso é ótimo para o crescimento econômico, porque as pessoas podem ter acesso, a um preço muito menor, a um bem que não é tão sofisticado, a um DVD player com menos recursos, que não precisa ser um blue-ray", exemplificou.

O mercado consumidor
O professor afirmou que a base do mercado consumidor interno está nos 110 milhões de brasileiros que passaram para a classe C. "A recuperação da nossa economia começa pelo mercado interno, mesmo porque o comércio internacional fica desaquecido em períodos de crise. Então nós temos aí um ativo muito interessante", destacou.

Sobre a saída do Brasil da crise, Fernandes afirmou que está sustentada em mudanças estruturais que ocorreram desde os anos 1990, com a estabilização monetária, as privatizações e os marcos regulatórios.

"Há uma forte redistribuição de renda, melhoria nos índices de desigualdade, aumentou a produtividade da mão-de-obra, a população parou de crescer (...) Esses fatores que vemos agora representam um seguro que fizemos contra a crise e nem sabíamos que tínhamos feito".
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