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Poupança deixa estigma de "baixa rentabilidade" e atrai novos aplicadores
12h12

SÃO PAULO - A poupança registrou captação líquida positiva de R$ 2,089 bilhões no mês de junho, movimento que foi alcançado porque a aplicação não tem mais o "estigma de baixa rentabilidade", de acordo com o professor de Mercado Financeiro da Trevisan Escola de Negócios, Alcides Leite.

O total de depósitos no sexto mês do ano foi de R$ 82,622 bilhões, enquanto os saques ficaram em R$ 80,533 bilhões.

De acordo com o professor, o número maior de depósitos, em relação ao de saques, não é devido à migração vinda dos fundos de investimento, mas aos novos aplicadores.

"As novas aplicações já vão para a poupança, porque ela deixou de ter a imagem de rendimento muito inferior às demais aplicações, de modo que também se tornou atrativa. Então, o crescimento que a poupança vem registrando é mais devido à atratividade que ela passou a ter do que à migração de fundos para a poupança. Não está tendo essa migração de forma intensa", explicou.

Fundos x poupança
Leite explicou que a migração dos fundos para a poupança não acontece de forma intensa, porque os aplicadores ainda estão esperando uma definição mais clara do que vai ocorrer com as cadernetas. Outro motivo que barra essa migração é que os bancos já estão diminuindo as taxas de administração de fundos.

"Durante o segundo semestre, as coisas ainda vão permanecer dessa forma, porque está havendo, aos poucos, a redução dos custos impostos pelos bancos para os fundos de renda fixa e, por outro lado, não há definição clara do que vai acontecer com a poupança", explicou.

O professor indicou, diante desta situação, que os investidores mantenham suas aplicações, já que "ambas as aplicações estão com rendimentos parecidos e têm segurança total".

Mesmo não havendo essa migração, Leite disse que o governo vai ter necessariamente de mexer na poupança. "Agora, o quanto eles puderem postergar, eles vão fazer, talvez até deixando para o próximo governo, por questão eleitoral".
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