Comentário Semanal: bolsas globais acumulam ganhos em semana mais curta
18h44
SÃO PAULO - Em clima de final de ano, a semana que coroou o final de 2008 e o início de 2009 teve pouco volume nos mercados, agenda econômica pouco movimentada e algumas referências corporativas de maior destaque.
Com alta em todos os três pregões do período, o Ibovespa acumulou expressiva valorização. Também pesou a favor a disparada das commodities no início da semana, reagindo aos ataques de Israel à Faixa de Gaza e pacotes econômicos em Índia e China.
Em movimento contrário esteve o dólar comercial, que na semana recuou 1,48%.
Destaques da semana mais curta
Foi na disparada dos contratos de matérias-primas, em especial do petróleo, que o Ibovespa angariou sua valorização nos primeiros dois pregões da semana. Sem referências corporativas internas de impacto, o principal índice de ações teve altas de, respectivamente, 0,53% e 1,32%.
As duas altas seguidas apenas minimizaram o saldo final de 2008: a queda acumulada de 41,22% marcou o pior desempenho anual do Índice Bovespa desde 1972.
No cenário externo, a segunda-feira (29) foi tensa não só por conta da repercussão dos ataques de Israel à Faixa de Gaza, mas também pela forte queda de ações de empresas tradicionais. A Dow Chemical viu seus papéis despencarem após desistência do governo do Kuwait de aquisição de 50% de participação no capital da divisão da empresa responsável por fabrização de plásticos. Também tiveram duras perdas as ações da automobilística Ford, após o bilionário Kirk Kerkorian se desfazer de sua participação na companhia.
Já a terça-feira foi de otimismo por conta do aporte de US$ 6 bilhões do Tesouro norte-americano na GMAC, braço financeiro da General Motors.
Com os mercados brasileiros fechados na quarta e quinta-feira por conta das festas de final de ano, as atenções estiveram totalmente voltadas ao exterior. Na quarta-feira a GMAC concluiu operação de swap para levantar capital e atender às condições necessárias para virar banco comercial. Com as declarações de que a GMAC não havia alcançado caixa suficiente para atender os padrões de instituição financeira comercial, as ações da GM caíram forte.
A volta às atividades após a paralisação em 1 de janeiro não teve referências corporativas de peso. Nem mesmo o fraco ISM Index - indicador que mensura o nível de atividade industrial nos EUA - de dezembro impediu um início de 2009 com ganhos generalizados pelo mundo.
E por falar em indicadores econômicos, a agenda brasileira na semana teve o resultado primário do governo em novembro, de R$ 1,944 bilhão, Índice de Confiança Industrial com variação negativa de 11% entre novembro e dezembro, saldo de US$ 24,735 bilhões na balança comercial no acumulado de 2008 e deflação de 0,13% em dezembro pela medição do IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado).
As variações
Embalado pelo desempenho das commodities, o Ibovespa teve alta em todos os três pregões da semana, com destaque à disparada de 7,17% da sexta-feira. A valorização acumulada na semana mais curta por conta das comemorações de fim de ano foi de 9,17% e o índice chegou aos 40.244 pontos.
Em mais uma semana marcada pelo intervencionismo do Banco Central, ainda que em menores proporções por conta do volume reduzido também no mercado cambial, o dólar comercial acumulou queda de 1,48% e vale R$ 2,335.
A taxa dos contratos de DI futuro com vencimento em janeiro de 2010, que vem apresentando maior liquidez, ficou em 12,14% na sexta-feira, queda de 0,16 ponto percentual diante do valor do final da semana passada. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 13,43%, com baixa na passagem semanal.
Destaques da agenda econômica da primeira semana do ano
Dentro da agenda para a primeira semana do ano, os investidores estarão atentos, sobretudo, aos dados do mercado de trabalho norte-americano de dezembro.
No cenário nacional, o destaque fica para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo). O indicador orientará novas percepções sobre o controle da inflação doméstica.
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