Pnad aponta a redução da desigualdade entre ricos e pobres no Brasil
14h50
SÃO PAULO - As primeiras análises dos dados da Pnad 2007 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), divulgadas na segunda-feira (22), mostram que a renda per capita dos mais pobres cresceu substancialmente entre 2001 e 2007.
Conforme análise dos dados, realizada pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), a renda dos 10% mais pobres cresceu a uma taxa de 7% ao ano, quase três vezes mais do que a média nacional, de 2,5%, e dos 10% mais ricos, de apenas 1%.
Desigualdade em declínio
O crescimento mais acelerado da renda, segundo o Ipea, decorre do fato de a fatia da renda nacional apropriada por eles ter crescido quase 30% no período, passando de 0,69 em 2001 para 0,89 em 2007.
Considerando apenas o período entre 2003 e 2007, a renda familiar per capita cresceu a uma taxa de 5,4% ao ano. Durante esses anos, o crescimento da renda foi superior para os mais pobres (variação de 9% ao ano) do que o para os mais ricos (4%).
Conforme mostra a pesquisa, entre 1990 e 2005 a pobreza na América Latina caiu 8,5 pontos percentuais, ao passo que, somente entre 2002 e 2007, a pobreza no Brasil caiu 10,2 pontos percentuais. Ou seja, em termos de redução da pobreza, o Brasil fez, em cinco anos, mais do que o restante da América Latina levou 15 anos para fazer.
É necessário continuidade
Apesar da acentuada queda na desigualdade entre os ricos e os pobres no país, ela ainda permanece elevada. A Pnad 2007 mostra que a fatia da renda do 1% mais rico da população é ligeiramente menor apenas do que aquela apropriada pelos 50% mais pobres. Além disso, os 10% mais ricos se apropriam de mais de 40% da renda, ao passo que os 40% mais pobres se apropriam de menos de 10% da renda.
O Brasil ocupa posição razoável na classificação de países segundo sua renda per capita: 62% dos países têm renda inferior à brasileira. Entretanto, alterando o critério de avaliação, passando a considerar a distribuição de renda, o resultado é que, em 46% dos países, os 20% mais pobres têm renda menor que a dos 20% mais pobres no Brasil.
Para que o país passasse a ocupar a mesma posição nas duas listas, melhorando sua classificação quanto à quantidade de renda dos 20% mais pobres, seria necessário, conforme a análise do Ipea, quase 18 anos de crescimento desta renda à velocidade apresentada entre 2001 e 2007 (quatro pontos percentuais).
Como fazer acontecer?
O Ipea explica que reduções na pobreza ocorrem apenas quando a renda dos mais pobres cresce, e existem dois instrumentos capazes de produzir esse efeito. O primeiro é o crescimento econômico equilibrado, capaz de elevar a renda de todos os grupos da população.
O segundo é a redução no grau de desigualdade, que eleva a fatia de renda total apropriada pelos mais pobres e, dessa forma, aumenta a renda desse grupo, mesmo na ausência de crescimento econômico.
O primeiro instrumento permite que a renda de pobres e ricos cresça. Entretanto, com o segundo, a renda dos mais pobres cresce enquanto a dos mais ricos declina. O Ipea ressalta que o ideal é poder contar ao máximo com os dois instrumentos: o crescimento incrementa a renda de todos, enquanto reduções no grau de desigualdade garantem que a renda dos pobres cresça mais rapidamente que a dos ricos. |