Tendência de plano de saúde controlar hospital traz preço competitivo a clientes
10h26
SÃO PAULO - Uma tendência no mercado de planos de saúde gera mais concorrência e, como conseqüência, preços mais atrativos aos consumidores. É o fato de diversas empresas do setor administrarem hospitais, com exceção das seguradoras, que são impedidas legalmente de controlarem uma instituição de saúde.
De acordo com o presidente da Abramge (Associação Brasileira de Medicina de Grupo), Arlindo de Almeida, as empresas de medicina de grupo sempre se caracterizaram por ter um hospital próprio. "Nós temos a vocação da prestação de serviço", afirma. Porém, alguns motivos fizeram com que esta tendência, denominada verticalização, se acelerasse nos últimos anos.
O primeiro deles é a abertura de capital por parte das empresas do setor, como Amil e Medial. Com os recursos adquiridos com o lançamento inicial de ações (IPOs), elas começam a buscar uma maneira de aplicação deste capital. "Elas vão explorar, então, a área hospitalar. É uma área bastante complicada de atuar, cara, e quem abre capital tem mais recursos para isso", diz Almeida.
Outros motivos
Além disso, conforme explicou o presidente da Abramge, já faz um certo tempo que as Unimeds passaram a ter os próprios hospitais, o que acelerou a tendência. As casas de misericórdia, por sua vez, contribuíram no sentido contrário: são hospitais em todo o Brasil que passaram a oferecer planos de saúde.
Questionado sobre o motivo de as empresas de planos de saúde passarem a administrar hospitais, Almeida afirmou que foi por uma questão financeira. "Surgiu mais como uma maneira de resolver o problema de custos das empresas", ressalta. È importante destacar que elas não trabalham apenas com os próprios clientes, mas com os de outras empresas.
De acordo com Almeida, os hospitais privados independentes estão assustados com esta concorrência e criticam o controle dos planos de saúde, justificando que ele pode afetar a qualidade dos serviços. "A tendência só é benéfica. Ela traz competitividade e custos menores para os segurados", diz Almeida.
Serviços prestados
Na década de 1960, quando as multinacionais vieram para o Brasil, como as montadoras na região do ABC Paulista (Santo André, São Bernardo e São Caetano), os funcionários demandavam mais atendimento médico e o sistema público não tinha condições de atender. Desde então, surgiu a medicina de grupo.
Segundo Almeida, nesta época, as empresas já administravam hospitais. Hoje, o número das instituições de saúde controladas por empresas de medicinas de grupo deve estar entre 400 e 500, isso sem contar as empresas que controlam hospitais por meio de uma outra empresa aberta, que não é possível contabilizar.
Para os analistas da Link Investimentos, a aquisição de hospitais pelos planos de saúde é bastante positiva. "Com uma rede de atendimento própria, a operadora tem um controle maior sobre cada paciente, sendo que pode colocar sistemas para acompanhar o histórico do mesmo, em que todos os médicos terão acesso", afirma a corretora em seu relatório mais recente.
"Estamos extremamente otimistas com o potencial de crescimento de saúde privada no País, que possui ainda uma baixa penetração, com uma população que apresenta aumento consistente de renda e serviços públicos cada vez piores", finaliza a corretora. |