Crise: especialistas dão dicas de como agir de acordo com o perfil do investidor
18h15
SÃO PAULO - E agora, José?, já dizia o poeta. A questão, eternizada na poesia de Carlos Drummond de Andrade, pode simplificar a dúvida de muitos brasileiros diante da crise internacional.
De acordo com o economista Hugo Azevedo, "não é época de ficar brincando com o dinheiro". Mas então, o que fazer quando o assunto é investimento?
Para o professor da Fipecafi (Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras), Alexsandro Broedel Lopes, a resposta depende do perfil do investidor. "Mas uma coisa é certa: ninguém tem a menor idéia do que vai acontecer", enfatiza. "Momento é de cautela e conservadorismo", completa.
Os diferentes perfis
Azevedo dividiu os investidores em três tipos diferentes, de acordo com o tempo no mercado. Confira as dicas para cada um dos perfis:
- Veterano na Bolsa
O investidor que já está há bastante tempo no mercado ainda está bem. "Ele comprou as ações quando os preços estavam lá embaixo", afirma Hugo. "Essa pessoa não vai vender, a não ser seja necessário". A dica, neste caso, é considerar o aporte inicial, e não os grandes picos do mercado.
Pesquisa divulgada recentemente pelo INI (Instituto Nacional de Investidores), mostra que, de uma carteira com 48 empresas, 30 delas teriam rentabilidade superior a 30% ao ano e nenhuma apresentaria queda, considerando um investimento de 4 anos e 9 meses na bolsa, do último dia útil de 2003 a 9 de setembro deste ano.
- De um a dois anos na Bolsa
Neste caso, segundo Azevedo, é possível dividir em dois grupos: os eufóricos, que entraram seguindo a maioria, e os de longo prazo.
"Os primeiros, na minha opinião, são os investidores mais prejudicados", desabafa Azevedo. "Esses investidores entraram na máxima da Bolsa e, se a intenção era só experimentar, ele perdeu muito dinheiro", completa.
"Devia ter alguém no mercado que não deixasse ninguém sem a noção de longo prazo investir em ações", opina a psicanalista e especialista em Psicologia Econômica, Vera Rita de Mello Ferreira. O investidor principiante, que entrou na Bolsa depois dos ótimos resultados do ano passado, principalmente, está encarando essa fase pela primeira vez. "Antes de entrar no mercado de ações, é necessário ter consciência dos riscos. Quanto maior o retorno que se espera, maior o risco que se corre, não dá para fugir disso", afirma.
Por outro lado, existe aquele investidor que se empolgou com os bons resultados do passado, mas que conhecia os riscos do mercado. "O alerta, neste caso, é para que o longo prazo não fique muito longo", diz Azevedo.
Segundo ele, é normal as pessoas, diante de bons ganhos, esperarem ganhar mais e mais. Essa ganância, no entanto, pode causar uma grande perda no futuro. "Assim, o ideal é segurar os papéis até que aconteça uma recuperação, e depois começar a vender", aconselha. "Dinheiro bom é dinheiro no bolso", define.
- No olho do furacão
Essa dica é para aquele investidor que seguiu a premissa do mercado: comprar na baixa e vender na alta. "Ele acabou de entrar no mercado, mas vale ficar atento: não é porque caiu que é para sair comprando qualquer papel. Fique de olho em todas as informações e compre ações de primeira linha", aconselha.
Outra dica básica é, segundo Azevedo, não colocar todos os ovos na mesma cesta. E ele completa: "coloque-os em poucas cestas e fique de olho".
É importante acompanhar o andamento do mercado que, segundo Vera Rita, hoje não está para amador.
Momento de aprendizado
Para Hugo Azevedo, independente do perfil do investidor, o momento deve servir de aprendizado.
A psicanalista Vera Rita concorda, e completa: "quem pretende ficar no mercado deve aprender com os erros e usar a experiência no futuro".
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