|
Consumidor deve evitar assumir novas dívidas em tempos de crise
10h34
SÃO PAULO - Enquanto o mercado financeiro internacional não se acalmar - e isso deve ocorrer apenas com a aprovação, pelo Congresso dos Estados Unidos, do pacote de ajuda ao sistema financeiro norte-americano -, os brasileiros não devem assumir novas dívidas. Quem alerta é o professor Clélio Campolina, do Departamento de Ciências Econômicas da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).
O momento, segundo o professor, não é de medo, mas de prudência. "Não se deve tomar nenhuma decisão arriscada. Não é o momento dos cidadãos assumirem novos compromissos. Tem que aguardar um pouco o desenrolar dessa situação e a repercussão que ela pode ter no Brasil", frisa.
Brasil não está imune
Em entrevista à Rádio Nacional, o professor explicou que o sistema americano está em um momento de instabilidade, mas, à medida que houver injeção de recursos públicos, a economia deverá reencontrar estabilidade. "Como os Estados Unidos têm um terço do PIB mundial, isso também tem um efeito internacional generalizado".
Campolina garante que o Brasil não está imune à esta instabilidade, ainda que a equipe econômica do governo garanta o bom andamento da economia, afirmando que o País não sofre os efeitos da crise financeira internacional. "Se houver uma crise mundial generalizada, imediatamente haverá uma redução na demanda de exportações brasileiras e isso afetará internamente a economia e pode criar um clima desfavorável", avalia.
Ele lembra, no entanto, que a situação do País é, atualmente, diferente, se comparada à de 10 anos atrás. O superávit na balança comercial e o elevado volume de reservas são pontos positivos ressaltados por Campolina. "Nossa situação é mais confortável, mas isso não elimina o fato de que a turbulência mundial também nos atinge".
Risco de inadimplência
Entretanto, uma das preocupações destacadas pelo economista da UFMG é o aquecimento do mercado imobiliário brasileiro e a alta no preço dos imóveis. Campolina diz que os financiamentos de longo prazo estão atraindo compradores e, numa eventual crise, pode ser difícil cumprir os compromissos assumidos, à semelhança do que aconteceu nos Estados Unidos.
O mesmo, segundo ele, vale para os financiamentos de outros bens, como carros. "Isso pode gerar uma crise de confiança no sistema e obrigar que o governo tenha que intervir, como já fez no passado", alerta.
Quem paga a conta
O professor lembra que a intervenção semelhante à norte-americana foi feita pelo governo brasileiro em 1995 com a criação do Proer (Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional) para auxiliar os bancos que estavam quebrando. "O Estado é chamado para salvar o sistema econômico e a sociedade paga a conta", diz.
Para amenizar a reação da sociedade norte-americana frente à ajuda do setor financeiro, o pacote aprovado na quarta-feira (1º) pelo Senado dos Estados Unidos incluiu garantias como o aumento de US$ 100 mil para US$ 250 mil do limite de depósitos bancários que passam a ser garantidos pelo governo.
O novo pacote, que deve ser submetido nesta sexta-feira (3) à Câmara de Representantes, também prevê mais US$ 150 bilhões além dos US$ 700 bilhões propostos inicialmente, e medidas como o corte de impostos para classe média e incentivo a pequenos empresários. "Tudo isso para reduzir o custo que a sociedade vai pagar para salvar o sistema", conclui. |
|
|
|
|
Constituição: em 20 anos, foi editada um norma tributária a cada 789 brasileiros

Consumidor brasileiro gastaria mais por produtos sustentáveis, diz estudo

Apesar de endividado, consumidor de baixa renda acredita no futuro

Ibope: classes populares têm participação "de peso" no uso da internet

Nem extrovertido demais nem muito tímido: qual postura te favorece?

Crise: ministro do Desenvolvimento descarta ajuda ao comércio varejista

Aumenta a inadimplência causada por descontrole financeiro, aponta ACSP

Consumo e perda de energia cresceram 4,1% em setembro

Dos and don´ts: o que fazer, e não fazer, em épocas de incertezas

Portabilidade: inadimplente pode fazer transferência, mas não se livra da conta

PL propõe prazo de 90 dias, após intimação, para entrega de declaração de IR atrasada

Recessão de consumo pode baixar preços da carne

Empregos: momento é promissor para jovens e pessoas acima de 50 anos

Gasto com TI de empresas da América Latina deve crescer 15% em 2008

|
|
|